Pe. Dr. Rodolfo Gasparini Morbiolo
No próximo dia 28 de fevereiro, a Igreja Católica reunida em Sorocaba se prepara para o acolhimento do seu novo pastor Dom José Roberto Fortes Palau, recém-nomeado pelo Papa Leão XIV, como sucessor dos apóstolos a presidir esta porção do povo de Deus.
Após cerca de onze meses de preces e expectativas acolhemos o novo bispo nascido em 9 de abril de 1965, natural de Jacareí da Diocese de São José dos Campos no Estado de São Paulo. Mestre e Doutor em Teologia, presidia até agora a Diocese de Limeira, após ter servido como bispo auxiliar de São Paulo a região do Ipiranga.
Ao longo de mais de 100 anos de história eclesiástica, o pastoreio da Igreja de Sorocaba, ressalta figuras gentis e dedicadas cuja memória deixam saudades no povo, a saber: Dom Aguirre, primeiro bispo; Dom José Melhado, e Dom José Lambert, primeiro Arcebispo – já mergulhados na misericórdia do Pai Celestial. Tardiamente, com o mesmo reconhecimento celebramos a vida de nosso Arcebispo emérito dom Eduardo Benes e de Dom Julio, transferido para a sede apostólica de Belém do Estado do Pará.
A comunhão com o bispo, nomeado para uma Igreja Particular, desde os tempos imemoriais da patrística cristã, evoca na pregação de Inácio de Antioquia, Irineu de Lião, Cipriano de Cartago e Agostinho, alguns temas de relevância fundamental à comunidade eclesial católica: na pessoa do bispo manifesta-se o centro da liturgia e da unidade, sendo também o guardião da doutrina recebida dos apóstolos. Nele se integram por um lado o pastoreio na caridade, e por outro o sentido de pertencimento à única Igreja de Cristo.
Como eco desse magistério multissecular a “Lumen Gentium” do Sagrado Concílio Vaticano II (1962-1965) entende a gravidade do ministério episcopal na senda da sucessão apostólica e enfatiza: aos bispos, “quem os ouve, ouve a Cristo; quem os despreza, despreza a Cristo e Aquele que enviou Cristo” (LG, 20). Assim, os bispos representam “o próprio Cristo, mestre, pastor e pontífice, e atuam em seu lugar” (LG, 21), para ensinar, santificar e reger o povo de Deus a eles confiado (LG, 25-27). Pela graça desse ministério são os primeiros edificadores da Igreja do Senhor (“Christus Dominus”, 1).
Marlos Aurélio da Silva escrevendo ao “Dicionário do Concílio Vaticano II” (Paulinas, Paulus, 2015) ressalta: “o retrato do bispo delineado pelo Concílio é menos correspondente a um burocrata ou legislador eclesiástico, e mais afeito a um pastor sintonizado com a realidade do povo de Deus”; alguém com autoridade de “pai e irmão, homem de solidariedade e fraternidade evangelizadora” (p. 346; LG, 24). Um retrato que reflete o magistério do Papa Francisco quando enseja missionários com o “cheiro das ovelhas” (“Evangelii Gaudium”, 24).
Redobramos as orações para que Nossa Senhora da Ponte lhe seja um auxílio indispensável ao ministério que exercerá no meio de nós como sinal vivo da presença de Cristo Pastor; que seja feliz aqui em Sorocaba construindo conosco as memórias vivas que garantem a vitalidade da fé do povo de Deus e a esperança cristã, na contínua ação de graças da ação litúrgica eclesial e no serviço da caridade pastoral que a todos convoca como missionários e missionárias. Assim seja!




