Comentário ao Evangelho – Quarta-feira 18a semana TC – 09.08.2023

Quarta-feira 18a semana TC

Nm 13,1-2.25-14,1.26-30

Poucos meses depois de ter libertado o povo do Egito, Deus estava para fazer o povo entrar na terra prometida. “O Senhor falou a Moisés: ‘Envia alguns homens para explorar a terra de Canaã, que vou dar aos filhos de Israel’”.

Os exploradores percorreram a terra de Canaã por quarenta dias e voltaram do reconhecimento do país com impressões contratantes: é, de fato, “uma terra onde corre leite e mel”, mas os seus “habitantes são fortíssimos, e as cidades grandes e fortificadas”.

Como o povo reagiu a esse relatório contrastante? Havia duas possibilidades: ter fé na promessa de Deus e prosseguir, ou se fixar nas dificuldades e nos obstáculos e desanimar. Infelizmente o povo reagiu dessa última maneira. Ao perder a coragem diante das dificuldades começaram a aumentar ainda mais as dificuldades: “toda a comunidade começou a gritar, e passou aquela noite chorando”. Trata-se de um choro de desolação provocada pela própria covardia.

A reação de Deus à difamação da terra prometida e à falta de fé nas suas promessas é correspondente à dos israelitas. Não quereis entrar na terra prometida? Pois bem, não entrareis nela. “Juro que vos farei assim como vos ouvi dizer! Carregareis vossa culpa durante quarenta anos… todos vós que murmurastes contra mim não entrareis na terra na qual jurei fazer-vos habitar”.

Não pensemos que esse episódio seja somente um erro do passado. Essa atitude de falta de confiança em Deus é muito comum no presente. Há muitos que não têm coragem de assumir decisões definitiva e compromissos duradouros. Há os que aceitam se dedicar por um tempo limitado em uma obra de generosidade, mas não têm coragem de dedicar a vida nessa obra. A falta de coragem em assumir compromissos definitivos, na verdade, é apenas um sintoma da falta de confiança na graça de Deus. De fato, sem a graça de Deus, ninguém consegue manter um compromisso por toda a vida. Muitas coisas mudam, tantos problemas ocorrem, tantos obstáculos tornam impossível manter um compromisso por toda a vida. Para assumir compromissos por toda a vida, para tomar decisões definitivas é, de fato, preciso confiar na graça de Deus.

Tornou-se um hábito difundido coabitar sem se casar. Dar e prometer ao outro somente um amor provisório e condicionado parecer ser a regra atual dos relacionamentos. O sacramento do matrimônio é infelizmente reduzido a um produto do mercado de entretenimento ou a um sonho passageiro e não expressa mais o grande mistério do amor de Cristo e a Igreja.

O matrimônio cristão promete um dom belíssimo: o dom do amor fiel, constante, incondicional e fecundo. Os cônjuges prometem e dão uma ao outro essa graça que tem sua origem no sacramento.

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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