Comentário ao Evangelho – 4º. Domingo da Quaresma B – 10 03 2024

4º. Domingo da Quaresma B

Jo 3,14-21

Estamos no domingo da alegria, e a liturgia nos coloca diante da razão da nossa alegria: Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna.

Deus nos ama! Esse é o dogma central da nossa fé; é a alma de toda a Bíblia; é a afirmação mais importante de toda a Sagrada Escritura e que contém o mistério mais profundo que podemos conhecer e receber: Deus e nós! E entre Deus e nós, há o amor!

Como Jesus fala desse amor? Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do homem seja levantado

Recordemos Nm 21,4-9. O povo passa por dificuldades no deserto: a fome, a sede, os agressores. Ao mesmo tempo recebe de Deus proteção contra os inimigos, a água que brota da rocha e o maná que desce do céu. A cada adversidade enfrentada no deserto, Deus manifesta com sinais maravilhosos o seu amor pelo seu povo.

Muitos, porém, ainda acham que Deus não faz mais do que sua obrigação e murmuram contra Deus, dizendo que não há água e que estão enojados daquele alimento sem graça. Por isso, os culpados são atacados por serpentes de fogo e muitos morrem por isso. Ante o castigo, os pecadores se arrependem e recorrem à intercessão de Moisés. Deus manda que ele faça uma serpente de bronze e a eleve em uma haste. E todos os que eram picados pelas serpentes e olhavam para a imagem elevada no deserto ficavam curados.

Surpreende esse episódio. Deus manda fazer uma imagem! E essa imagem é de uma serpente! Sabemos que a serpente era uma divindade cultuada como símbolo da fertilidade das religiões pagãs. Além disso, para piorar, ela é também símbolo do tentador; símbolo do mal!

Por que, Deus mandou que a imagem fosse a de uma serpente? A Palavra de Deus nos explica o porquê disso. Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus (2Cor 5,21). Jesus foi feito pecado no sentido de que ele assumiu voluntariamente sobre si o castigo que nós merecíamos pelos nossos pecados. O perdão do meu pecado não é uma ação burocrática de Deus! Para que eu pudesse ser salvo, Deus fez recair sobre o seu Filho dileto todo o peso do pecado e ele foi esmagado.

Jesus explica a sua morte e ressurreição como um ser elevado! Como a serpente de bronze foi elevada, assim também ele será elevado! Jesus, com a sua morte e sua ressurreição, cumpre o que foi prefigurado por Moisés no deserto. Assim, o que salvou o povo no deserto não foi a serpente de bronze. Mas Jesus! Já no deserto, Jesus salvou os pecadores. Olhando para a serpente, eles estavam olhando, mesmo sem o saber, para Jesus. Eles não estavam olhando para um ídolo nem para o símbolo do mal, mas para Jesus.

Olhando para Jesus somos salvos. Olhando para o amor feito carne, olhando para Jesus que se entrega na cruz para ressuscitar, temos a salvação dos pecados.

O mundo de hoje faz com que seja difícil acreditar no amor. São tão numerosas as traições, são infinitas as decepções, são terríveis as violências provocadas e sofridas! Quando sofremos a violência e a traição, somos feridos, começamos ter medo de amar e de ser amados, porque não queremos mais ser enganados e feridos. Muitos são também os que acusam a religião e a fé de estar na origem das guerras, da discriminação, da opressão da liberdade individual. Desse modo vai engrossando sempre mais o número das pessoas que não acreditam mais em Deus, porque não acreditam mais no amor de Deus. Não acreditam que o amor dos cristãos seja verdadeiro, de que amor de Deus seja realidade!

Entramos em uma nova era do gelo: sem acreditar que Deus nos ama, o mundo está destinado a se dissolver na escuridão. Se não há amor, estamos só nadando para o gelo escuro do fim cósmico.

Neste tempo da quaresma somos colocados diante da serpente elevada no deserto! De Jesus elevado na cruz, entre o céu e a terra, com os braços abertos. Estamos diante do amor que se derrama do seu lado aberto pela lança. Esse é o momento decisivo: Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito!

A Campanha da Fraternidade, nos aponta para a mesma decisão! Quem crê nele não é condenado! Cristo é nossa paz. Do que era dividido, Ele fez a unidade! Sem fraternidade, o mundo se perverterá em uma arena de luta e de violência, sem compaixão e sem misericórdia. Lugar da violência onde os fracos, os doentes, os idosos, os não nascidos não tem lugar.

Para enfrentar esse veneno, só há um antídoto: Deus nos ama e nós cremos no amor.

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

Veja mais em: Biografia / Agenda do Arcebispo / Palavra do Pastor / Youtube / Redes Sociais

Compartilhe: