Js 3,7-10.11.13-17
No relato da passagem do rio Jordão, o personagem principal não é Josué nem o povo: é a arca da Aliança.
Graças à arca da aliança um obstáculo que parecia insuperável é superado com facilidade. Isso nos mostra que o elemento decisivo para superar os obstáculos não são as nossas capacidades, mas é a presença de Deus na nossa vida. A arca da Aliança simboliza exatamente a presença de Deus no meio do povo.
Conforme o relato bíblico, a arca da aliança continha duas realidades que exprimem a presença de Deus: de um lado o dom de Deus e do outro lado, a exigência de Deus. Estas duas realidades são simbolizadas no maná e as tábuas do Decálogo.
Se desejamos estar unidos a Deus, devemos acolher essas duas realidades da presença de Deus. O maná simboliza o amor de Deus, amor solícito, generoso, que sustenta a nossa vida e nos faz progredir. O maná é prefiguração do dom de Deus em Cristo na eucaristia. O pão do céu não foi Moisés que o deu, mas é o próprio Pai que dá o verdadeiro pão do céu que é Jesus. O pão do céu é a carne do Filho de Deus, dada para a vida do mundo.
A nossa vida deve ser orientada pelo dom do Deus. Receber o dom de Deus na eucaristia é o fundamento, se queremos ter uma boa orientação e superar as dificuldades da vida. Receber o dom Deus é o que impede de nos abater diante das dificuldades e faz com que as transformemos em ocasião de progresso espiritual.
É necessário, porém, acolher o outro aspecto da presença de Deus que é a sua vontade. As tábuas da lei exprimiam as exigências de Deus para o seu povo: se trata de uma exigência de amor, uma vontade de libertação, uma vontade positiva, mas que, às vezes, pode ser muito severa e até desagradável.
No NT a vontade de Deus se tornou ainda mais exigente e ao mesmo tempo mais positiva, porque foi sintetizada por Jesus no duplo mandamento de amar a Deus e amar o próximo. Além disso, Jesus ordenou amar os pobres e os inimigos, perdoar setenta vezes sete, deixar tudo e segui-lo pobre de bens, etc.
Em Jesus a exigência está fundada no dom de Deus. Porque Deus nos ama infinitamente, somos chamados a amar como o Pai ama.
Por isso amar nem sempre é fácil: amar é uma exigência e um dom. Podemos amar como Jesus, porque recebemos o dom de Jesus. E porque recebemos Jesus, podemos amar como ele ama.
A vida cristã é acolher o dom de Deus de maneira passiva ao permitir que Deus nos ame; e é acolher o dom de Deus de maneira ativa, amando como Ele.
Por Dom Julio Endi Akamine SAC
Veja mais em: Biografia / Agenda do Arcebispo / Palavra do Pastor / Youtube / Redes Sociais




