Comentário ao Evangelho – Sábado da 13ª Semana TC – 08.07.2023

Sábado da 13ª Semana TC

Gn 27,1-5.15-29

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Na Bíblia não encontramos somente relatos edificantes em que os personagens são exemplares em sua conduta. De fato, a Bíblia nos revela o desígnio de Deus, sua vontade salvadora e sua misericórdia que se estende de geração em geração. Ao realizar a salvação, Deus não é impedido pelos erros e pecados humanos. Não é que Deus “escreva certo por linhas tortas”. O plano salvador de Deus se realiza na história apesar de todas as suas linhas tortas.

O episódio descrito pela leitura e um exemplo desse desígnio salvador que avança mesmo em meio a muitos erros.

Diferente de Abraão, Jacó não é uma figura muito edificante. Muito diferente da história de Abraão, na história de Jacó a Bíblia descreve o outro lado do povo da aliança. A história da salvação é feita da humanidade real, que tem sombras e luzes.

Isaac é um personagem apagado, que fica meio perdido entre duas grandes personalidades que são Abraão e Jacó. Ele mais parece uma ponte, uma passagem entre Abraão e Jacó, mas ele mesmo aparentemente só tem a função de contribuir para o retrato completo do pai e do seu filho.

Isaac foi tomado de um grande desejo de comer um guisado de caça e, para isso, quer encarregar o seu primogênito Esaú. Jacó se aproveita da cegueira do pai e do guisado preparado pela sua mãe para enganar o pai Isaac e obtém dele a benção. Esaú chega atrasado com seu guisado e não pôde anular a benção que lhe foi roubada e recebe apenas uma pequena bênção.

Nenhuma das pessoas envolvidas nesse relato aparece com traços gloriosos. O resultado desse roubo é a destruição da harmonia familiar, exatamente o contrário do que deveria estar na base da formação do povo de Deus. Nenhum dos irmãos se comporta como Abraão, ou seja, não se predispõe a receber o dom transcendente como graça, mas desejam conquistar a benção divina por sua própria conta, até mesmo por meio do engano e da trapaça.

O relato deixa claro o aspecto trágico desse “pecado original” do roubo da bênção: o primogênito é privado de seus bens; a família é destruída; a mentira e a impiedade dominam os comportamentos; a bênção paterna é compreendida de maneira supersticiosa.

Este relato precisa ser interpretado numa perspectiva de fé. A salvação – e, por isso, também a bênção – é sempre um dom, surpreendente e imerecido. Não pode ser conquistado. O relato desse episódio do roubo da bênção está na Bíblia exatamente para nos ensinar o que não devemos fazer. Nesse sentido, Jacó é portador da bênção divina para todos os povos, não porque dela se apossou, mas porque ela lhe foi concedida apesar de todas as intrigas perpetradas por ele.

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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