VOCAÇÃO

Diversamente da profissão, que implica a dedicação a uma tarefa especializada segundo as necessidades da sociedade, a vocação consiste na escuta interior de um apelo que dá sentido e valor à vida. A profissão costuma ser motivada mais por razões utilitaristas e práticas, enquanto que a vocação representa o encontro do homem com seu autêntico caminho, fazendo-o centrar-se e realizar-se na dimensão mais profunda de sua existência.

A simples prática de uma profissão pode deixar o ser humano indiferente e até frustrado, mas uma autêntica vocação é capaz de integrar todas as tarefas profissionais e dar sentido até mesmo às ocupações mais humildes e insignificantes. A vocação é a alma das atividades do homem. Sem ela, o trabalho e a própria vida se tornam monótonos e perdem o seu valor e sentido.

As preocupações pragmáticas podem levar a pessoa a, cada vez mais, cuidar somente das tarefas exteriores e a visar à eficácia e à produtividade do trabalho. A massificação tende a converter as pessoas em números, sem o significado único e personalizador que a vocação dá à vida. Não é de estranhar que muitos se rebelem contra as tarefas que a sociedade parece lhes impor e procurem evadir-se para um mundo fictício ou virtual de amor e liberdade.

A vocação apresenta sempre uma dimensão essencialmente religiosa, pois está arraigada na dimensão mais profunda do ser humano. Uma das grandes contribuições do cristão deve ser, portanto, ajudar as pessoas a descobrir a própria vocação, o apelo que brota do mais profundo de seu mistério, onde se realiza o encontro com Deus.

Na Bíblia a vocação tem sempre como elemento essencial a missão. A Bíblia faz questão de frisar que é Deus quem toma a iniciativa ao vocacionar alguém. Reagindo ao chamado divino, é comum que a pessoa vocacionada resista. Em vários casos, quem é chamado alega não se sentir capaz de realizar a missão que lhe é confiada. Também é comum que Deus não chame diretamente, mas se sirva de mediações: a mediação da história (as situações e os acontecimentos: opressão do povo, sofrimento, injustiça) e a das pessoas (Elias chama Eliseu, André convida Pedro).

O chamado de Deus se dá em forma de diálogo: a pessoa vocacionada é livre de acolher ou não o chamado divino. Se a pessoa se engaja no diálogo com Deus, ela irá assumindo a missão que reconhecerá como sua. Por isso, algumas atitudes são essenciais no discernimento vocacional são as seguintes.

A primeira atitude é a escuta ou a fé. Se vocação é chamado realizado por Deus, é preciso estar em atitude de escuta e de oração. O pressuposto da escuta é a fé, pois ela tem como dinamismo interno um impulso à conversão.

A segunda atitude é a inserção na comunidade eclesial. A escuta, a fé e a conversão acontecem geralmente dentro da comunidade eclesial (família, Igreja, grupo de jovens, etc.) ou então levam a ela.

A terceira atitude é a atenção à mediação da Igreja. Na Igreja a vocação pode brotar e se desenvolver com ênfases diversas: a evangelização, a luta pela justiça, a busca de Deus, a solidariedade com os pobres, a dedicação aos doentes e idosos, o serviço à Igreja, etc.

A quarta atitude é o exame frequente das motivações interiores. Existem motivações infantis (procura de proteção, medo, segurança pessoal, proveito próprio); motivações insuficientes porque se apegam a um único aspecto da vocação que a pessoa pretende abraçar (solidão, estudo, o hábito) ou porque ligadas à fuga de a uma realidade (desejo de se afastar da família, medo do casamento, medo de ficar só); motivações inadequadas porque não se ligam à essência da vocação, mas aos benefícios que dela se esperam (para fazer estudos que não teria oportunidade de fazer, para ascensão social, etc.).

Aquele que é chamado, a partir da hora em que escutou o chamado ou dele tomou consciência, é profundamente transformado: a vocação faz a pessoa. A vocação dessa forma unifica a ação do vocacionado, ilumina a sua vida e se torna o centro e o impulso de sua experiência. A transformação da pessoa pela vocação é expressa, às vezes, pela mudança do nome: Abrão se tornou Abraão; Jacó teve seu nome mudado para Israel; Simão foi nominado por Jesus de Pedro; Saulo se converteu em Paulo.

 

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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