Santa Ignorância

Há uma ignorância boa. Não se trata da ignorância da verdade, mas da do mal. Uma das grandes ilusões de hoje é a de que precisamos experimentar o mal para não sermos inocentes. O que acontece, porém, é que experimentando pessoalmente o mal deixamos de ser inocentes. Vivemos em um mundo onde muitos dizem: “Você não conhece nada da vida; é um inocente!” O pressuposto dessa acusação é de que nunca podemos conhecer nada a não ser pela experiência direta.

Foi esse tipo de mentira que Satanás impingiu a Adão e Eva. Disse-lhes que Deus tinha proibido de comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal porque não os queria sábios nem tolerava concorrentes. O que Satanás não explicou aos nossos primeiros pais é que Deus conhece o mal abstratamente, ou seja, pela negação de sua bondade e seu amor. O ser humano, porém, comendo do fruto, conheceu o mal experimentalmente e, por isso, se tornou escravo dele.

Deus quer que conheçamos a doença como um médico saudável a conhece. Ele não desejou que a conhecêssemos ficando doentes. A grande mentira de Satanás é a de vender o conhecimento do mal como bem e a sua ignorância como um mal. A realidade, porém, é exatamente a inversa: entre o conhecimento experiencial do mal e a sua ignorância é melhor esta última.

É só examinar a vida concreta com objetividade. Pergunte a você mesmo: o fato de você ter conhecido o pecado por tê-lo experimentado o fez mais sábio ou mais escravo do mal? Ao pecar, não desprezou você essa forma de conhecimento, não se sentiu mais infeliz por tê-lo experimentado? De quantas pessoas você já ouviu: “Queria nunca ter experimentado a droga, a bebida alcoólica? Arrependo-me do primeiro real que roubei?” Essas pessoas seriam realmente mais sábias se tivessem sido ignorantes do pecado. É uma grande mentira achar que para “conhecer a vida” se deva “experimentar o mal”. Por acaso um doutor é mais sábio porque está infectado pela doença que deveria curar?

Outra grande mentira é a de que as pessoas inocentes não sabem o que é a tentação. Os inocentes, porém, conhecem mais sobre a força da tentação do que aqueles que nela caem. Como se conhece a força da correnteza de um rio? Nadando a favor ou contra a corrente? Os que se deixam levar pela tentação se desculpam dizendo que a tentação é muito forte. No entanto, quem melhor conheceu a força da tentação foi Jesus porque a venceu. Ninguém melhor do que Ele conhece a força da tentação, exatamente porque não cedeu a ela.

A educação sexual muitas vezes se torna falsa exatamente por pressupor que as crianças devam conhecer os efeitos maus de certos comportamentos para poder evitá-los. Mas o conhecimento do sexo não torna necessariamente alguém mais sábio. A higiene sexual não é moralidade. A maldade não vem da nossa ignorância no conhecer, mas de nossa perversidade em praticá-la.

A ignorância do mal não é prejudicial à educação; exatamente o contrário. Nesse sentido, Santo Agostinho afirmou que aquele que educa “deve ensinar o bem e malsinar o mal” (De doctr. christ. 4,4,6: PL 34,91). É cada vez mais urgente ser ignorantes do mal. No mundo há tanto mal e seria uma bênção termos escolas para desaprender o mal. O propósito delas seria o de formar pessoas inocentes no mal e sábias no bem.

Felizmente essas escolas para desaprender existem aos montes, e se chamam “sacramento da reconciliação ou da confissão”. Ao confessionário, o fiel pode voltar com frequência para aprender por meio da ignorância. Na confissão não recebemos apenas uma pele de cordeiro, mas nos tornamos novamente ovelhas do Pastor Supremo Cristo para segui-lo no caminho da santidade.

 

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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