RESSURREIÇÃO

Cristo morreu e ressuscitou! Mesmo que nem sempre seja bem acolhida, a morte é uma experiência que se impõe a todos nós. Por isso, confessar que Jesus morreu tem uma relação mais próxima de nossa finitude e mortalidade. Mais desafiador é confessar a ressurreição de Jesus. Uma vez que, na nossa condição humana, não temos uma experiência direta de ressurreição, precisamos recorrer à revelação divina a fim que ela possa orientar a nossa experiência e a nossa inteligência. Para que possamos alcançar alguma inteligência e experiência para falar e viver o mistério da ressurreição precisamos, portanto, prestar atenção ao testemunho de fé da Igreja.

Antes de tudo, é preciso distinguir a ressurreição de Jesus das ressurreições de Lázaro, da filha de Jairo e do filho da viúva de Naim. A ressurreição de Cristo não é uma volta à vida mortal. Além disso, a ressurreição de Jesus não consiste somente na sobrevivência da alma. Quando aparece aos discípulos, o Ressuscitado não se apresenta como fantasma ou como alma desencarnada. Pelo contrário, ele aparece com corpo real glorificado, que pode ser identificado pelas marcas da paixão. Se Jesus aparecesse apenas como alma, isso levaria a pensar que Ele não pertence ao mundo da vida, mas da morte.

Se estudarmos os textos do NT que falam da ressurreição de Jesus, veremos que, na maioria deles, a iniciativa da ressurreição corresponde à iniciativa de Deus Pai (Rm 6,4; 8,11; 10,9; 2Cor 4,14; Ef 1,20). Com efeito, com a ressurreição, Deus Pai se manifesta em seu poder divino que consiste exatamente na ação de ressuscitar o Filho.

É preciso que fique claro: a fé na ressurreição de Jesus não é um acréscimo à fé em Deus. Pelo contrário, é a expressão mais original da fé no Deus cristão: Deus é o Pai de Jesus que mostra essa paternidade exatamente ao ressuscitá-Lo dos mortos (cf. Gl 1,1). O poder onipotente de Deus Pai não é um poder qualquer, indefinido ou genérico. Trata-se de um poder que se manifesta na ressurreição do Filho. Mais ainda: o poder de Deus Pai se identifica com a própria ressurreição do Filho. Muitas passagens do NT testemunham essa relação estreita entre paternidade divina com a ressurreição do Filho (cf. 2Cor 1,3; 11,31; Ef 1,17; Fl 2,11).

A unidade do Pai e do Filho se manifesta na ressurreição e exaltação de Jesus. Inseparável delas, a efusão do Espírito Santo, dom do Pai e do Filho, expressa a união dos dois. Jesus ressuscitado e exaltado à direita do Pai recebeu dEle o Espírito que, em Pentecostes, foi derramado nos Apóstolos. A plena posse do Espírito da parte de Jesus torna possível a sua efusão nos homens. Essa efusão de Pentecostes é “a primeira” manifestação da plena comunhão de Jesus com o Pai, de sua filiação e, por conseguinte, da paternidade divina (cf. Rm 8,11).

A ressurreição de Jesus tem significado para a nossa salvação, pois o Ressuscitado é o princípio da nossa ressurreição desde já pela justificação de nossa alma e, mais tarde, pela vivificação de nosso corpo.

É a ressurreição de Jesus que possibilita os encontros pessoais que nos evangelhos são descritos como aparições. Essas aparições, distintas das experiências místicas, são experiências em que Jesus ressuscitado se aproxima dos discípulos. São Paulo distinguiu com clareza esses dois tipos de experiências: uma é a sua elevação até o terceiro céu (cf. 2Cor 12,1-4) e outra é a aparição de Jesus no caminho de Damasco (At 9,1-6).

Segundo o Novo Testamento, as aparições do Ressuscitado não se multiplicam indefinidamente. Elas acontecem no período de quarenta dias. A última aparição coincide com a entrada da humanidade de Jesus na glória divina: subiu aos céus e está sentado à direita do Pai. Nesse sentido, a ascensão de Jesus ao céu não assinala um movimento contrário ao da encarnação. Pelo contrário, agora glorificado no céu em sua humanidade assumida na encarnação, Jesus está mais próximo, mais enviado e mais ativo do que nunca.

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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