Palavra do Pastor – Centenário da Igreja Particular de Sorocaba

Jo 15,1-8

Celebramos hoje o Centenário da Igreja Particular de Sorocaba (hoje é também o Centenário da Diocese de Santos)!

Neste dia tão feliz, Jesus nos põe diante da videira: eu sou a videira e vós sois os ramos! Você já viu uma videira? Sabe distinguir onde começa a videira e onde os ramos? Assim como a videira é uma só, assim também a nossa união com Cristo: formamos com Ele um só. Não é uma unidade de justaposição. É uma unidade orgânica: o todo está nas partes e as partes estão no todo.

Formamos com Ele uma única videira. Essa é a obra maravilhosa do Espírito Santo: somos um só com Cristo. Sem perder a própria identidade, sem ser absorvido por Ele, eu me torno, em união com Cristo e com os irmãos, uma só videira, uma só coisa.

Esse é o mistério da Igreja: nós não estamos unidos individualmente a Cristo. A Igreja não é só a instituição, não são apenas as estruturas físicas e sociais. A Igreja é o mistério da unidade com Cristo para formar com Ele uma só realidade. Ou como diz São Pedro: nós somos pedras vivas edificadas sobre a pedra angular, a pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e honrosa aos olhos de Deus (1Pd 2,4). Nós formamos com Cristo um edifício espiritual, um sacerdócio santo (1Pd 2,5).

Pergunto: a uva é fruto da videira ou dos ramos? É da videira e dos ramos! O fruto é produzido pelo ramo, na medida em que faz parte da videira. O fruto revela a vitalidade do ramo. Se o ramo se separa da videira, ele seca e não dá fruto. Assim as obras que faço, não são só minhas, mas também as de Cristo. As obras de Cristo, são dele, mas são feitas minhas. É maravilhoso o mistério da unidade da Igreja com Cristo. Por isso não posso não amar a Igreja!

Amo a Igreja de Sorocaba porque ela me dá o que é necessário. Há cem anos ela existe e trabalha para que não falte aos seus filhos e filhas o que é absolutamente necessário: Jesus Cristo.

Amo a Igreja de Sorocaba porque ser um só com Cristo não é possível sem a Igreja, sem os irmãos e irmãs que como eu estão enxertados em Cristo, formando um sacerdócio santo a fim de oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo (1Pd 2,5). Estando na Igreja não só com o corpo, mas com o coração, sou com os irmãos e irmãs a raça escolhida, o sacerdócio do Reino, a nação santa, o povo que ele conquistou para proclamar as obras admiráveis de Cristo (1Pd 2,9).

Amo a Igreja de Sorocaba porque ela me ensina a forma correta de exprimir a fé (a profissão de fé, os dogmas de fé), ela fornece para mim o modo prático de viver a fé em Cristo (os mandamentos, as bem-aventuranças, a ética cristã e a doutrina social), ela põe à minha disposição o tesouro da oração bimilenar da Esposa de Cristo (a Sagrada Liturgia, as devoções e a espiritualidade dos santos). De fato, sem a Igreja, o mistério de Cristo se esvazia e se torna um mito; sem a Igreja o Evangelho se perverte em ideologia, de esquerda ou de direita não importa!

Amo a Igreja de Sorocaba porque Jesus me ensinou a amar a Deus e ao próximo. Amar o próximo nada mais é do que amar a Igreja. A Igreja são os batizados, são vocês, os fiéis desta Arquidiocese. No amor à Igreja estão incluídos também os que não pertencem a ela, mas que partilham conosco as mesmas Sagradas Escrituras, o mesmo Senhor, a mesma fé, o mesmo batismo. No amor à Igreja estão incluídos os irmãos mais velhos, os que adoram o único Deus Salvador, os que procuram a Deus de coração sincero e até mesmo os que não tem fé. Amo a Igreja porque ela dilatou o meu coração para amar a todos, para desejar a todos a Salvação e para sofrer por todos.

Amo a Igreja de Sorocaba porque, para nela ser admitido, não me foram exigidas virtudes heroicas, nem santidade de vida, tampouco qualidades espirituais. Na Igreja, aprendi que tudo devo receber das mãos de Jesus: o ramo recebe a Vida estando unido à Videira! A santidade é continuamente derramada em meu coração porque na Igreja estou no bioma da graça; ela é o ambiente vital da comunicação da graça; a Igreja é o ecossistema onde a chuva torrencial dos bens divinos nos encharca de vida eterna.

Amo a Igreja porque mesmo manchada, ferida e enlameada pelos meus pecados, ela continua rezando pela minha conversão, continua sofrendo pela minha santificação, continua, como Cristo, achando que vale a pena tentar me salvar.

Amo a Igreja porque ela me ensina a amar os pobres. Nestes cem anos, a Igreja Particular de Sorocaba nunca deixou de servir os pobres, continuamente se prodigalizou a serviço dos necessitados. Ela criou instituições de ensino para promover a educação e a cultura, construiu e administrou hospitais para cuidar dos enfermos, mantém farmácias comunitárias, alimenta os irmãos que moram na rua, distribui alimento para as famílias.

A Igreja formou e continua formando os ministros ordenados que nos batizaram, atenderam as nossas confissões, assistiram aos nossos casamentos, acompanharam com suas orações a última passagem dos nossos caros. Deus seja bendito para sempre pelos ministros ordenados que foram inseridos na corrente ininterrupta dos bispos, padres e diáconos que atravessa os milênios até o dia de hoje. Bendito seja Deus pelos consagrados e consagradas que testemunharam e continuam a testemunhar o tesouro do Reino de Deus pelos votos de pobreza, castidade e obediência. Bendito seja Deus pela santidade cotidiana dos fiéis leigos. Eles provam que a santidade não é privilégio de uma elite, mas uma graça que não falta a batizado algum.

Amo a Igreja de Sorocaba porque ela me dá os sacramentos, o alimento da Palavra e da Eucaristia, o exemplo dos Santos que por aqui passaram: Frei Galvão e Padre Donizete, e de também tantos outros Santos do cotidiano com quem convivemos.

Amo a Igreja de Sorocaba porque recebo nela o Espírito que forma em mim a imagem de Cristo: seus sentimentos são os meus; suas palavras são as minhas; seus pensamentos são os meus; seu amor ao Pai, é meu; seu amor por Maria, é meu!

É justo e é nosso dever, nesta celebração do centenário dizer:

Deus seja bendito!

Deus seja louvado!

A Deus nossa gratidão para sempre!

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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