Os Reis Magos

A narrativa de Mateus tem uma história encantadora: os magos vêm de longe em busca de Cristo, atraídos pela estrela (Mt 2,1-12). São trazidos de longe e, por meio de muitas vicissitudes da vida, encontram e adoram a Cristo.

Deus pôs um sinal nos céus para guiar aqueles astrônomos/astrólogos do oriente que procuravam Deus. De fato, “Deus usa de vários meios para chamar a si as pessoas, meios adaptados à personalidade e às condições de cada um. Aos pastores, judeus, já familiarizados com as revelações divinas do Antigo Testamento, Deus chamou através dos anjos, mensageiros da boa nova do nascimento de Jesus. Os Magos, porém, eram pagãos. Como eram astrônomos e astrólogos, Deus os chamou através de uma estrela misteriosa” (Dom Fernando Rifan). O sinal da estrela é a manifestação da misericórdia de Deus que quer ser encontrado pelos homens. Expressa a necessidade de ter que olhar para fora deste mundo para descobrir os segredos de Deus.

As estrelas vistas daqui de baixo parecem distantes e frias, e as informações, que elas nos dão parecem distantes e difíceis, mas por meio delas, mais particularmente pelo Cristo, somos atraídos para uma viagem que será bem-sucedida, pois é o próprio Deus que quer ser encontrado.

A viagem dos magos passa por uma crise. Vão perguntar a Herodes: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer?” A história de Herodes é uma história de assassinatos provocados pela sua suspeita doentia e crueldade impiedosa, inclusive contra sua própria família. Sua ambição pelo poder o levou a eliminar possíveis pretendentes ao trono. Historiadores sabem que ele mandou matar, por suspeita de conspiração, o sumo sacerdote Aristóbulo (irmão de sua segunda mulher), José (seu irmão), Hircano II (o avô de sua mulher); Mariana (sua segunda mulher); José e Costobar (seus cunhados); Alexandre e Aristóbulo (seus enteados); Antípater (filho do primeiro casamento). Nesse sentido, o assassinato dos meninos de Belém está de acordo com a violência do reinado de Herodes, especialmente em seus últimos anos, quando sua segurança no trono estava ameaçada.

Depois de ter se informado cuidadosamente com os sacerdotes e mestres da Lei sobre o lugar de nascimento do Messias, chama em segredo os magos para saber com exatidão o tempo do aparecimento da estrela. Lugar e tempo: falta somente saber quem é esse menino! Com astúcia maligna, pede aos magos que o mantenham a par das buscas para poder também ele ir “adorá-lo”. A astúcia de Herodes, no entanto, é vencida pelo milagre da estrela, que reaparece somente depois que os magos deixam a corte, e pela fidelidade dos visitantes, que obedecem ao sonho de não voltar a Herodes.

É impressionante o fato de Herodes, com a ajuda dos doutores da Lei, ter interpretado corretamente a profecia (Mq 5,1), mas não ter crido em Cristo. De que adianta conhecer, se esse conhecimento nos leva a buscar a morte de Cristo?

A visita a um soberano era sempre acompanhada de dádivas. Ouro indica a realeza; incenso, a divindade; mirra, os sofrimentos e a morte. São presentes caríssimos, demonstrando grande afeto por Cristo.

O Senhor deseja ser encontrado. Ele mesmo nos atrai e nos guia pela sua estrela. Ele não nos dá somente a luz da fé, mas o seu corpo e o seu sangue para nos transformar e nos fazer viver sempre mais em comunhão com Ele.

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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