Os Finados e os Santos

No início de novembro, é feita a comemoração dos fiéis defuntos, conhecido como dia de Finados, e, no primeiro domingo a Solenidade de todos os Santos e Santas de Deus. Essa sucessão não é sem propósito: ela destaca o mistério da comunhão dos santos. Podemos dizer que a “comunhão dos santos” é, em relação às pessoas, a imensa e admirável comunidade de todos os fiéis vivos e falecidos, e, em relação aos bens espirituais, a inserção de cada um dos filhos de Deus na vida de Cristo como membros de um só e mesmo corpo.

Por que a Igreja venera os santos e as santas? Não basta adorar a Deus Vivo e Verdadeiro? Se podemos ir diretamente à Fonte e ao Autor de todas as graças, para quê recorrer a intermediários?

A veneração de santos e santas não deve ser identificada a recurso a intermediários, postos entre Deus e o batizado. Os santos e as santas da Igreja não são atravessadores! São nossos companheiros de caminhada! Como tal eles nos encorajam nesta nossa peregrinação terrestre.

Os santos e as santas já chegaram à presença de Deus e, por causa desta comunhão, mantêm conosco laços de amor e comunhão. As tribulações desta vida são muitas e muito pesadas, mas não devemos carregar sozinhos o que, na realidade, nunca poderíamos suportar sozinhos. Os numerosos santos e santas de Deus nos protegem, nos amparam e nos guiam pelo “vale de lágrimas” desta vida.

Além disso, os santos e santas nos mostram que a santidade está presente no cotidiano da vida cristã: nos pais que criam os seus filhos com amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes e idosos que continuam a sorrir. Nesta constância de continuar a caminhar dia após dia, está presente e operante a santidade da Igreja militante. Esta é a santidade do cotidiano, daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus. Os santos e as santas de Deus são o sinal comprobatório de que a santidade é um mistério da realidade cotidiana dos batizados.

Para ser santo e santa, é preciso ser batizado. Muitas vezes somos tentados a pensar que a santidade esteja reservada apenas aos que têm possibilidade de se afastar das ocupações comuns, para dedicar muito tempo à oração. Não é assim. Todos somos chamados a ser santos e santas, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra. Para um cristão, não é possível imaginar a própria missão na terra, sem a conceber como um caminho de santidade. Para o cristão, a única tristeza desta vida é a de não ser santo(a) (León Bloy).

Os santos e santas da Igreja nos mostram como o Senhor Jesus cumulou de dons a sua Esposa-Igreja: a Palavra, os Sacramentos, os Santuários, a vida das comunidades, o testemunho dos cristãos, em uma beleza multiforme que deriva do amor do Senhor.

No contexto da celebração do seu centenário, a Arquidiocese de Sorocaba é agradecida por alguns Santos que estão ligados à sua história. Primeira de todas é Nossa Senhora, invocada por nós com o nome carinhoso de “Aparecidinha”. Ela é também invocada, como nossa Padroeira, sob o título de “Nossa Senhora da Ponte”. Um amor especial temos por Santo Antônio de Santana Galvão, que morou alguns meses em Sorocaba e fundou o Mosteiro Santa Clara das Irmãs Concepcionistas. Não esquecemos do Beato Padre Donizete de Tambaú que frequentou o Colégio Diocesano que funcionou por muitos anos no local do atual Colégio Santa Escolástica.

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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