O Espírito Santo: Presença Real

Quando falamos de presença real, lembramo-nos imediatamente da eucaristia. Por isso, pode causar surpresa falar de presença real do Espírito Santo.

É preciso estarmos atentos à forma de presença de Jesus e do Espírito. Elas têm suas peculiaridades: são distintas, mas não são contraditórias nem separadas. Há uma recíproca relação das duas presenças: a de Cristo na eucaristia é real por causa do Espírito, e a do Espírito é igualmente real por causa da glorificação de Cristo.

A presença de Cristo tem como característica a encarnação, que é diversa da onipresença divina. Com a encarnação, o Verbo se torna presente em nossa carne, o que tem como consequência uma limitação. Com efeito, em nossa condição terrena, a presença de Jesus se encontrava circunscrita ao espaço e ao tempo: “no tempo do rei Herodes… quando Cesar Augusto era imperador romano, quando Quirino era governador da Síria”.

Trata-se de uma presença pessoal: um da Trindade se encarnou. Não é o Pai que se encarnou, porque Ele envia, nem é o Espírito, porque é por Ele que o Verbo se encarna. É o Filho que se encarnou, enviado pelo Pai por ação do Espírito Santo em Maria. Antes da encarnação, não conhecíamos as Pessoas da Trindade, porque a revelação da distinção trinitária só se dá na encarnação, quando um dos Três, arma a sua tenda no meio de nós. O Filho encarnado revelou-nos o seu e nosso Pai e prometeu-nos o Espírito do Pai.

A presença do Espírito é real, mas não é presença pela encarnação. Como se dá tal presença?

O evento que marca a nova forma de presença do Espírito é evidentemente Pentecostes. Nesse sentido, é esclarecedor Jo 7,37-39: “Jesus disse em alta voz: Se alguém tem sede, venha a mim e beba, aquele que crê em mim! Conforme a palavra da Escritura: de seu seio jorrarão rios de água viva. Ele falava do Espírito que deviam receber aqueles que tinham crido nele; pois não havia ainda o Espírito, porque Jesus ainda não fora glorificado”.

Como podemos notar, o texto joanino nos fornece uma chave de interpretação da Escritura: trata-se de a ler, notando como os textos referentes ao Espírito Santo evidenciam diferenças importantes no modo de presença e na maneira como Ele age antes e depois da glorificação de Jesus. Antes de Pentecostes e da glorificação de Jesus, a presença do Espírito tem como características: ser ocasional, de duração limitada e se dar somente sobre determinadas pessoas. Trata-se, portanto, de uma ação pontual do Espírito, semelhante àquela que se deu nos profetas (cf. 1Pd 1,11).

A citação do profeta Joel no discurso de Pedro no dia de Pentecostes (Cf. At 2,17ss; Jl 3,1-5), porém, revela a convicção de que, com a ressurreição e ascensão do Senhor, chegou o momento previsto da efusão universal do Espírito como um dom escatológico e estável que impele a Igreja para a evangelização e lhe dá alegria do louvor a Deus (cf. At 2,4.11).

É nesse sentido que “não havia ainda o Espírito”: não se trata, portanto, de ausência, mas da nova forma de presença do Espírito Santo que se dá somente depois da glorificação de Jesus.

A glorificação de Jesus é importante também para que o Espírito Santo seja revelado plenamente como Espírito do Pai e do Filho. De fato, na atuação do Espírito sobre Jesus, durante a sua vida mortal, se sublinha a sua condição de Espírito de Deus Pai, enquanto que com a glorificação de Jesus se evidencia que o Espírito é, ao mesmo tempo, Espírito do Filho. No dom do Espírito pelo Pai por meio de Jesus ressuscitado, aparece plenamente a “identidade” do Espírito como Espírito do Pai e do Filho.

Qual é a finalidade da presença do Espírito Santo na obra da salvação? O Espírito Santo universaliza e torna eficaz para todos os tempos e lugares a obra de Cristo, realizada em um momento e um lugar determinados. Ao universalizá-la, o Espírito a atualiza e a torna presente, como acontece nos sacramentos. Ao atualizá-la, o Espírito a interioriza nas pessoas especialmente nos fiéis.

Por fim, a ação do Espírito não se limita ao âmbito visível da Igreja. A vontade salvadora de Deus não tem fronteiras, tampouco a mediação de Jesus.

 

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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