Notre-Dame: Um mês depois do incêndio, há mais questões do que certezas, diz Fundação da Catedral de Paris

Um mês após o incêndio que atingiu a Catedral de Notre-Dame, em Paris, a fundação responsável pelo monumento diz que existem “muitas perguntas” por responder e que, apesar das promessas de patrocínios, os donativos efetivamente recolhidos são de 13,5 milhões de euros.

Em comunicado divulgado através da página da Arquidiocese de Paris sublinha-se que as necessidades de reconstrução vão se estender por “vários anos, necessariamente” e que o montante em causa “ainda não está quantificado”, dado que as verificações periciais ainda decorrem.

O texto evoca a “onda global” de apoio anunciado, após o fogo de 15 de abril, no início da Semana Santa, em particular os prometidos “mil milhões” de euros.

“Embora provavelmente não se devam questionar os donativos mais importantes prometidos por patrocinadores de renome, que se comprometeram publicamente, a verdade é que a maioria desses donativos ainda não se concretizou”, assinala o comunicado da Fundação Notre-Dame.

“Cada euro será um euro que servirá para reconstruir o coração da catedral. Será usado para financiar um programa ambicioso, mas necessário, que responda às expectativas”, disse D. Michel Aupetit, arcebispo de Paris.

A Fundação Notre Dame arrecadou 9,5 milhões de euros pelas mãos de 43 mil particulares, franceses e estrangeiros (dos quais 7 mil americanos) e 4 milhões de euros de grandes doadores, ou seja, 13,5 milhões de euros no total.

O restauro e conservação do edifício são a prioridade do projeto, que visa encontrar “soluções inovadoras”

O arcebispo de Paris manifestou a intenção de celebrar uma Missa em Notre-Dame, “assim que for possível”, ainda que sem a participação da assembleia, por motivos de segurança.

A construção da catedral, de estilo gótico, teve início em 1163 e foi concluída em 1345; no século XIX foi restaurada pelo arquiteto Viollet-le-Duc.

Notre-Dame é propriedade do Estado, de acordo com lei francesa de separação Igreja-Estado de 1905, e o seu uso é atribuído à Igreja Católica.

O teto da catedral, que desabou no fogo, datava de 1326 e tinha um peso de 210 toneladas, assentes numa estrutura em madeira de carvalho.

A construção foi encomendada pelo bispo Maurice de Sully; a primeira pedra foi colocada na presença do Papa Alexandre III, que ficou em Paris de 24 de março a 25 de abril de 1163, durante o reinado de Luís VII.

Em 1185, durante a primeira celebração no interior da catedral, o patriarca de Jerusalém Heráclio de Cesareia convocou Terceira Cruzada.

Por: Agência Ecclesia.

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