Necrológio: um mês de falecimento do Padre Inácio Kriguer

(Foto destaque: Missa de corpo presente – Paróquia São Benedito).

 

 Padre Inácio Kriguer: 01 de dezembro de 1946 / †17 de junho de 2019

Por: Padre Tadeu Rocha Moraes

 

Nascido na cidade de Sorocaba, no dia 01 de dezembro de 1946; segundo filho do Sr. Azevedo Kriguer e da Sra. Joaquina Aguilar, residentes no território da Paróquia Bom Jesus dos Aflitos da então Diocese de Sorocaba. Suas irmãs são Ivone Kriguer Salustiano e Maria Aparecida Kriguer.

 

Em 15 de dezembro do mesmo ano recebeu o sacramento do Batismo na Catedral de Nossa Senhora da Ponte das mãos de Mons. Francisco Antônio Cangro, tendo como Padrinhos o Sr. José Pedro Luz Neto e a Sra. Antonia Aguilar. Dom José Carlos de Aguirre administrou-lhe o sacramento da Crisma na Capela Episcopal São José, que se situava na Rua XV de Novembro junto a Residência Episcopal, que cedeu lugar ao Edifício do Banco do Brasil.

 

Em 1961 ingressou no Seminário Menor São Carlos Borromeu onde permaneceu até a conclusão dos estudos (ensino médio) que concluiu em Escola Pública no ano de 1967. De 1968 a 1971 cursou Filosofia e História na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Sorocaba. Concluído seus estudos filosóficos, ingressou no Instituto Teológico Pio XI em São Paulo (dos Padres Salesianos) para o curso de Teologia onde permaneceu até 1973. Em 1974 transferiu-se para a Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção para a conclusão do curso e passou a residir no Seminário Central do Ipiranga junto a mesma com os demais seminaristas desta Diocese e das demais do Estado de São Paulo que compõem o Regional Sul I da CNBB. Participou de curso de extensão universitária sobre coordenação de pastoral (ITEPAL) em Medellin, na Colômbia.

 

Das mãos de Dom José Melhado Campos (2º Bispo Diocesano) recebeu os Ministérios Sacros, o Diaconato aos 17 de junho de 1975 na Paróquia de Santa Rita em Sorocaba. No dia 15 de agosto do mesmo ano e encerramento do ano jubilar de criação e instalação da Diocese (1924-1925), na Catedral Diocesana de Nossa Senhora da Ponte pelo gesto sacramental da imposição das mãos de Dom José Melhado Campos e do Presbitério, foi ordenado presbítero.

 

Exerceu esse ministério por 43 anos, 10 meses e 02 dias sempre nesta Arquidiocese: Vigário Paroquial de São João Batista de Votorantim em 1975; Pároco de São José Operário em Sorocaba (1976-1979); Pároco de São João Batista de Votorantim (1979-1984); Pároco de Divino Espírito Santo em Sorocaba (1984-1985 e 2006-2013); Reitor do Seminário Filosófico São Carlos Borromeu (1984-1989) e, enquanto Reitor, acumulou as funções de Pároco de São Lucas (1985-1986) e São Carlos Borromeu (1986-1989); Pároco de Nossa Senhora da Piedade em Piedade (1989-1995); Pároco de Santo Antônio em Iperó (1995-2000) onde construiu ampla igreja matriz; Pároco de São Roque (1999-2000); Pároco de São Francisco de Assis (2000-2006), ambas em Boituva; Pároco de São Benedito em Sorocaba (de 14 de abril de 2013 até sua morte).

 

Muitas outras atividades exerceu: Professor de Lógica no Seminário Filosófico São Carlos Borromeu; Coordenador da Cáritas Diocesana (1972-1976); Coordenador Diocesano da Catequese (1978-1980); Coordenador Diocesano de Pastoral (1990-1996); membro dos Conselhos Presbiteral e de Economia da (Arqui) Diocese em vários mandatos (eleito ou por função); representou o Presbitério junto a Comissão Regional de Presbíteros (Regional Sul 1 da CNBB); Assistente Espiritual da Sociedade São Vicente de Paulo; Conselheiro Espiritual das Equipes de Nossa Senhora, etc.

 

Sua saúde foi se abalando a partir de 18 de novembro de 2012, quando sofreu violento infarto do miocárdio. Mesmo assim, continuou no exercício do ministério sempre com dedicação, alegria e ímpar zelo apostólico.

 

Padre Inácio foi cuidado com elogiável carinho, atenção e afeto pela sua irmã, Maria Aparecida, seu cunhado e outros familiares. Ele lutou intensa e brevemente contra um carcinoma de cólon com metástase hepática. No dia 17 de junho de 2019, no recinto da casa onde residia, após ter recebido, dias antes, o sacramento da Unção dos Enfermos das mãos do Pároco, Pe. Washington Ribeiro, assistido pelos Padres Manoel César de Camargo Júnior e Tadeu Rocha Moraes e pela sua irmã, Maria Aparecida Kriguer, às 11h30, balbuciando o “Amém” da oração do Pai-nosso, sem nenhuma expressão de angústia, serena e calmamente, entregou seu espírito.

 

Seu corpo foi velado na Igreja matriz de São Benedito com enorme concorrência de amigos e paroquianos. Após missa exequial, presidida pelo Arcebispo Metropolitano, Dom Julio Endi Akamine, e concelebrada por dezenas de padres e diáconos, foi sepultado no Cemitério Municipal da Saudade no dia 18 de junho de 2019.

 

Homem de oração e amante da Palavra da Deus, que diariamente meditava, deixou interessante coleção de Bíblias composta por centenas de exemplares em vários idiomas. De fácil convivência, dada sua personalidade alegre e generosa, sempre colaborou com os colegas que lhe solicitavam algum serviço. De notável simplicidade e de elevada cultura, nunca se impunha sobre os outros. Optava sempre pelo paciente e caridoso diálogo. Esforçava-se em construir o consenso no presbitério e na paróquia, contudo não se omitia e se expunha com sinceridade, objetividade e ternura.

 

As decisões nunca eram precipitadas e sempre caracterizadas por profunda sabedoria e espírito prático. Sua profunda experiência de Deus deu-lhe liberdade interior a ponto nunca ter se prendido ao poder e aos bens materiais. Com o mesmo espírito, vivia sem preconceitos e a todos acolhia com afeto. Costumava registrar dados e informações que, de tempos em tempos, comparava. Tinha como lazer “palavras cruzadas”. Gostava de viajar para conhecer novas pessoas, lugares e culturas. Poucos meses antes do diagnóstico da enfermidade, que o vitimou, desistiu, por ordem médica, da viagem ao Japão. Sempre cultivou a virtude evangélica de visitar familiares, amigos, irmãos de presbitério e paroquianos.

 

Algumas mensagens enviadas pelas redes sociais

Padre Inácio viveu até o fim: “tendo amado os seus, amou-os até o fim”. Reuniu todas as forças que tinha e suplicou pelas pessoas que não tinham para celebrar sua última Semana Santa. Foram dias de intensa espiritualidade e muito testemunho da doação cristã ao extremo. Um padre exemplar que visitava todos os paroquianos que passavam necessidades, por isso nosso sentimento de saudade é absurdo. Confiamos que do céu ele nos vê e nos acompanha como sempre fez (José Luiz Garcia).

 

O céu está em festa! O “Amém” é entoado pelos querubins e, ao se aproximar do altar celestial, ouve de Jesus: “vinde bendito de meu Pai” (Tiana Pascoa).

 

Padre Inácio celebrou o meu casamento e o batizado da minha filha aqui na Paróquia Nossa Senhora da Piedade. Vai nos fazer muita falta; que descanse em paz (Margareth Silva).

 

Perdemos um amigo e irmão. A Eternidade ganhou um cidadão (Regina Alexandre).

 

Este é um momento de dor e também de fé e de esperança. Nós, que fomos seus paroquianos, somos agradecidos pelo trabalho e entrega deste querido sacerdote (Alike Rosa).

 

Um grande companheiro. Tínhamos um bom bate papo toda vez que nos encontrávamos. Corintiano, jogávamos conversa fora sobre futebol e política. Quando o assunto era religião, aí a conversa era enriquecedora. Aprendi muito com ele. Me sinto orgulhoso por ter sido seu amigo (Duda Blas).

 

Quem participa da Arquidiocese de Sorocaba o conheceu. Assumiu seu ministério sacerdotal com ardor missionário e conquistou nas paróquias a admiração dos fiéis. Era uma pessoa simples e acolhedora. Um verdadeiro pastor preocupado com suas ovelhas. Fiel às palavras do Evangelho transmitia Jesus Cristo como um amigo verdadeiro em sua vida. Convivi com o padre Inácio em décadas de anos na participação no Movimento das Equipes de Nossa Senhora (ENS). Acompanhei sua trajetória na paróquia de São José Operário na época em que fazia parte da minha residência no jardim Saira. Também na paróquia do Divino e São Benedito em vários momentos que o entrevistei para a Rede Vida (Vanderlei Testa).

 

Eu morei três vezes com o padre Inácio: foi meu Reitor de Filosofia, foi pároco e eu vigário em Piedade e em Iperó. Todo esse tempo juntos foi de muito trabalho, diálogo franco e alegria. Foi difícil demais a partida do meu grande amigo (Padre Giba).