Maria, Mãe da Igreja

Celebramos hoje uma Memória bem recente dentro do calendário da Santa Igreja (mais precisamente 03/03/2018): “Bem-aventurada Virgem Maria Mãe da Igreja”. Esta memória é, portanto, celebrada na segunda-feira imediatamente após a Solenidade de Pentecostes. E é ao mesmo tempo o cumprimento de uma profecia bíblica/evangélica feita pela própria Mãe de Deus: “Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações”. (Lc1,48).

Interessante é que os primeiros cristãos celebravam escondidos em casas ou nas catacumbas. E por isso, até hoje quando se visita as catacumbas milenares de Roma (algumas visitei pessoalmente) pode-se ver desenhos e inscrições dos primeiros cristãos.

Há uma em Roma, por exemplo, na qual há uma inscrição que diz: “ó Pedro, reza por mim”! Em outras, é comum encontrar desenhos de Cristo (geralmente com cabelo longo e barba, razão pela qual essa imagem de Jesus se popularizou tanto); de cenas do Evangelho e de Maria Santíssima.

A mais famosa está também em Roma (portanto, há mais de 2 mil anos) e é o desenho de Maria Santíssima ao centro de braços abertos/estendidos tendo à Sua frente S. Pedro e São Paulo que sempre foram considerados “colunas da Igreja”. O que significa isto e porque o Padre está lembrando isto?

Porque nunca foi um problema para os primeiros cristãos o relacionamento místico e filial com Maria Santíssima! Mas alguns objetam: Mas por que então os Evangelhos falam tão pouco dEla? Ora, por uma razão óbvia: Porque Jesus é Deus e Maria santíssima não é uma deusa! É a Mãe de Deus, é verdade, mas isto não faz dEla uma deusa!

Os Evangelhos se ocupam naturalmente de Jesus porque Jesus, Nosso Senhor, é o acontecimento mais inédito e mais importante da história: Deus desceu à Terra e Se fez Homem! Há até um pensador que diz: “O maior acontecimento da história não foi o homem ter pisado na lua, mas Deus ter pisado nesta Terra quando Se fez Homem!” Ou seja, quando o Verbo Divino Se fez Carne e habitou entre nós!”

Tudo isso contudo, não tira a grandeza de Maria Santíssima, antes a sublinha, a eleva! Por isso dizia que os cristãos nunca tiveram problemas no relacionamento com a Mãe de Deus, isso é coisa do século XVI, ou seja, de 1600 anos depois com o advento do protestantismo! Aliás, para nosso estarrecimento, o fundador do protestantismo rezava o terço e tinha Maria Santíssima por Mãe!

Mas o que foi então que aconteceu? Ora, a resposta está na Bíblia (ou melhor, no Primeiro Livro da Bíblia) trata-se do cumprimento de uma triste profecia que já fora feita, portanto, em Gênesis: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”. Toda inimizade para com a Mulher vem do maligno que foi o primeiro a odiá-la quando soube que Deus se faria homem e entraria no mundo por meio de uma Mulher!

A primeira criação foi corrompida por nossa culpa enquanto humanidade por causa do pecado original. Reparemos no último versículo: “E Adão chamou à sua mulher “Eva”, porque ela é a mãe de todos os viventes.” O termo hebraico é “Havah”: “mãe de todos os viventes”.

Por que Eva é a mãe de todos os viventes? Porque a primeira criação começa com ela e com Adão e sem a participação do homem e da mulher. Os primeiros seres humanos não nascem pela via natural que é a relação sexual. Logo, ela é a Mãe de todos os viventes!

Mas conforme acabei de dizer, a primeira criação foi corrompida e, portanto, precisava ser “consertada”, “redimida”. E para tanto, Deus em Sua infinita Sabedoria e Providência, fez uma nova criação com um Novo Adão e uma Nova Eva! Quando o Verbo Se faz Carne no seio puríssimo de Maria Santíssima, teve início uma nova criação! Jesus ressuscita no primeiro dia da Semana, porque se trata de uma nova criação! E reparem que Jesus é gerado no ventre puríssimo de Maria por obra do Divino Espírito Santo, sem a participação de homem algum! Como lemos Maria Santíssima dizer ao Arcanjo Gabriel: “Como se fará isso, pois não conheço homem?” (Lc1,34).

Ora, se a nova criação redimida tem origem com o Novo Adão (Jesus) e a nova Eva (Maria), e Ela é Mãe dEle, e Ele diz ao discípulo amado: “Eis aí tua Mãe”, Maria só pode, na nova criação, ser a Mãe de todos os viventes! A primeira (Eva) para a condenação, a segunda (Maria Santíssima) para a salvação!

Satanás foi derrotado, pois enganou a primeira mulher, mas não teve chance sobre a Segunda! O descendente de uma Mulher (Jesus) lhe pisa a cabeça! É derrotado definitivamente por Deus por meio de uma Mulher o que lhe faz condoer-se de raiva e ódio.

Algo mais interessante ainda é que o maligno seduziu toda a humanidade em Eva com um fruto de perdição e Eva comeu desse fruto e o ofereceu ao homem, mas anos lá na frente, quando ele tenta a mesma estratégia oferecendo à Maria e aos filhos dEla o mesmo fruto, Maria Santíssima lhe mostra o fruto bendito de Seu ventre: Jesus! E ele sai em retirada porque não pode resistí-Lo! Maria continuamente oferece esse Fruto Bendito aos homens (como também o faz a Igreja que também é Mãe).

Maria diz ao maligno apontando para Seu ventre: “era este Fruto Bendito que salva e que dá vida que o Pai queria nos dar, não o teu fruto maldito de desobediência que redunda em perdição! Saia daqui! Vai-te em retirada!” E sob seu comando, o maligno sai feito um cão vira-latas escorraçado!

O texto sagrado do Evangelho nos diz: “Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo.” Este privilégio não precisa, nem deve ser exclusivo de S. João, mas de todo aquele que também deseja ser discípulo amado de Jesus! Se o Apóstolo A levou consigo, porque nós não podemos também levá-La? Felizes os que levam Maria Santíssima para suas casas, porque onde Maria entra, o diabo não tem vez! Amém!

Pe. Wagner Lopes Ruivo

Arquidiocese de Sorocaba/SP.

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