Jesus Cristo, Deus e Homem

Ao anjo Gabriel, que anunciou que Maria conceberia e daria à luz um filho, ela perguntou: “Como acontecerá isso, se não conheço homem algum”? (Lc 1,34). A resposta do anjo foi: “o Espírito Santo descerá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer é santo e será chamado Filho de Deus” (1,35).

Jesus, nascido de mulher como homem, é Santo e Filho de Deus! Ao longo dos séculos, a Igreja continuou perguntando: “Como acontecerá isso”? Como, Jesus homem é também Deus?

Essa não é uma mera pergunta acadêmica, pois da realidade da encarnação do Verbo de Deus depende a nossa salvação. Na história do desenvolvimento teológico, a fé católica sempre procurou evitar os desequilíbrios que, no fim, acabavam por negar uma das duas naturezas de Jesus Cristo. Nesse sentido, o Concílio de Nicéia (325) foi um marco importante para a fé ortodoxa.

Todavia, o equilíbrio começou a vacilar de novo logo depois do Concílio de Niceia com a solução proposta por Nestório de Antioquia. Ele dizia que as naturezas, a divina e a humana, teriam sido unidas em Jesus somente de modo espiritual, de tal forma que Maria teria sido somente mãe da humanidade de Cristo e não de Sua divindade.

A essa heresia respondeu o Concílio de Éfeso (431), afirmando que Jesus como Deus e como homem, é um e o mesmo; e que, por isso, Maria é mãe de Deus. Seguidamente, o Concílio de Calcedônia (451) ensinou que em Jesus Cristo ambas as naturezas de Jesus estão unidas “sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação”. Em Jesus Cristo as naturezas, humana e divina, não estão unidas por mera justaposição, nem por absorção de uma pela outra, tampouco por uma mutação de uma na outra. As duas naturezas estão unidas na única Pessoa do Filho de Deus, ou seja, trata-se de união pessoal. Por isso, chama-se essa união das duas naturezas na pessoa do Verbo de “união hipostática”.

Ainda hoje, como ao longo da história da Igreja, a condição humana e divina de Jesus Cristo é motivo de propostas e especificações. Periodicamente aflora em cristãos de boa-fé ou em pessoas que se afastaram da prática religiosa a dificuldade de aceitar a divindade de Jesus. Parece-lhes mais lógico reconhecer Jesus como um profeta, um mestre de sabedoria, um defensor da dignidade de todos os seres humanos. Poderíamos dizer que um certo arianismo difundido está sempre à espreita.

Apesar de essas questões nos poderem parecer, por vezes, discussões teóricas que exigem um esforço conceitual exaustivo, é importante considerar que a fé cristã, tal como outras questões humanas (como a política, a economia, a justiça social), exige rigor e coerência no raciocínio. Não se pode simplesmente afirmar: “Este aspecto não é importante; eu tenho a minha fé”.

As formulações incluídas na Profissão de Fé (o Credo) não pretendem explicar exaustivamente o que de fato é inacessível à inteligência humana. Elas têm a finalidade simplesmente, por assim dizer, de indicar a direção certa por onde se pode investigar o mistério da pessoa de Jesus e da nossa salvação. As afirmações da fé não reduzem o mistério aos nossos limites, mas especificam qual é o mistério que não podemos racionalizar e que devemos aceitar na humilde evidência da fé.

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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