Igreja é Santa!

A Igreja é santa! A sua santidade consiste no fato de ela ser santificada pela ação de Deus. Trata-se de uma santidade real, por isso a Igreja reúne em seu seio os pecadores que buscam nela a purificação de seus pecados e se aplicam incessantemente à penitência. Nesse sentido, santidade real é o equivalente de santidade em caminho e em processo.

Crer na Igreja santa é ter confiança radical na ação santificante de Deus e, ao mesmo tempo, aceitar responsavelmente trilhar o caminho da conversão e da penitência. Essa fé nos ajuda a ter uma compreensão mais realista do que é a santidade na Igreja peregrina.

A Igreja não existe como uma entidade idealizada que paira intocável sobre os seus membros pecadores. Ela só subsiste como comunhão de santos e de pecadores que buscam a conversão e o perdão. Por isso a Mãe Igreja não separa os filhos pecadores nem se separa deles. Pelo contrário, é atingida e ferida pelos pecados deles.

Não existem, portanto, duas Igrejas: uma santa, de cima, e outra pecadora, de baixo. Só existe uma única Igreja, ao mesmo tempo santa e pecadora. Esse paradoxo faz parte do mistério da Igreja desde sua origem e permanecerá ao longo de sua peregrinação. Até o final dos tempos, a Igreja será pecadora, por isso deverá lutar até o fim contra o pecado, consciente de que o pecado nunca prevalece sobre a ação santificadora de Deus.

O paradoxo da Igreja santa e pecadora pode parecer uma verdade perturbadora. Se ela é também pecadora, como pode ser mediadora e sacramento de salvação? Não perde ela seu significado e função salvadora para os cristãos? Por que confiar num instrumento tão imperfeito como o é a Igreja?

Para tentar responder a essas inquietações façamos algumas considerações.

Primeiramente, ao falar da Igreja pecadora não se deve identificar todas as imperfeições e os desvios históricos da Igreja com o pecado. Para que haja pecado é necessária a responsabilidade pessoal, por isso ele só pode ser cometido por indivíduos concretos. O pecado é atribuído à Igreja no sentido de que debilita e causa dano ao inteiro corpo da Igreja. Evidentemente isso não justifica os erros, uma vez que eles devem ser sempre evitados, nem nega o fato de que a causa de muitos desenvolvimentos históricos errados foi, de fato, o pecado pessoal de ambição desregrada, abuso de poder, orgulho, cobiça, incompreensão, intolerância, estreiteza, cegueira etc.

Em segundo lugar, o fato de a Igreja ser também pecadora é um paradoxo que só pode ser superado mantendo a tensão entre o que é dado por Deus a ela (ou seja, a santidade) e o que é recebido e realizado pelos seus membros.

O mistério da Igreja santa e pecadora revela a gravidade do pecado, uma vez que ele fere realmente a Mãe Igreja, mas manifesta também a Boa nova de que ela é para o pecador sacramento de salvação. Na Igreja a graça vitoriosa de Cristo é sempre oferecida ao pecador penitente.

A Igreja é santa, mas ela não é uma elite de perfeitos que já têm garantida sua santidade. Essa Igreja não existe, da mesma maneira como ninguém está garantido na salvação em sua situação peregrina. A Igreja real é a que acolhe os pecadores para, mesmo sendo ferida por eles, mediar para eles a graça de Cristo.

Por fim, a santidade e o pecado da Igreja não são duas propriedades concorrentes. A Igreja é santa porque santificada pelo Espírito, porque nela o pecado foi vencido irrevogavelmente por Cristo e porque em seu corpo se manifesta sacramentalmente a graça vitoriosa de Cristo. É verdade: o pecado está presente na Igreja, mas vencido pela santidade que lhe é comunicada indefectivelmente.

A Igreja transmite, proclama e comunica realmente a santidade, que é de Cristo e também sua (no sentido de ter sido feita sua). Com efeito, a santidade não é algo extrínseco, mas é um dom que tende a ser e é inserido no mais profundo da Igreja: a santidade-dom tem como fruto e efeito a santidade-correspondência. A Igreja é santa enquanto santificada e enquanto corresponde a esse dom: enquanto pertence a Cristo, ela é indefectivelmente santa; enquanto corresponde ao dom da santidade, ela é mais santa do que pecadora.

Quando falamos de Igreja “santa e pecadora”, com a conjunção “e”, não estamos somando duas propriedades que se apresentam em pé de igualdade. A santidade possui uma preeminência sobre o estado pecaminoso, pela qual a nota decisiva, atribuída definitivamente à Igreja por Deus, não é seu estado de pecado, mas sua santidade.

A santidade pertence à vocação autêntica e à essência da Igreja, ao passo que o pecado obscurece e contradiz sua verdadeira natureza. A santidade está, portanto, fundada sobre o fato de que Deus nunca deixará faltar o seu perdão.

 

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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