História da criação da Arquidiocese de Sorocaba

O Papa Pio XI criou a Diocese de Sorocaba a 4 de julho de 1924, quando em Roma, eram publicadas duas bulas pontifícias assinadas por ele naquela manhã: a primeira, intitulada “Ubi Praesules” (‘Onde os bispos…’), criando duas novas circunscrições eclesiásticas no interior do Estado de São Paulo, uma com sede em Sorocaba e outra na cidade de Santos, e a segunda, “Comissum Humilitati”, designando o cônego José Carlos de Aguirre, do clero secular da então Diocese de São Paulo e titular da Paróquia de Bragança Paulista, para ser seu primeiro bispo diocesano.

A comunidade católica de Sorocaba recebeu em janeiro de 1924 entusiasmadoras informações. Uma delas foi que no dia 13 daquele mês estaria na cidade o arcebispo metropolitano de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo e Silva – ele vinha a convite do pároco monsenhor Domingos Magaldi, que nesta época também desempenhava as funções de governador da Diocese de Botucatu/SP, sede vacante desde o ano anterior, com a morte de seu primeiro bispo, Dom Lúcio Antunes de Souza. Vinha para sagrar o altar-mor da nova Matriz de Nossa Senhora da Ponte, a esta altura com as obras de reforma e restauro iniciadas em 1918 concluídas. Segundo crônica da época, Dom Duarte chegou na tarde no dia anterior, e uma verdadeira multidão – cerca de 6 mil pessoas – foi à Estação Ferroviária para recebê-lo. Saudado pelo juiz de Direito da Comarca, Dr. José Thiago de Siqueira, dirigiu-se à Matriz e dali à casa paroquial.

Primitiva Capela de Nossa Senhora da Ponte e Mosteiro de São Bento em construção (tela do artista plástico Ettore Marangoni, com base em estudos e orientações de Monsenhor Castanho ‘Aluísio de Almeida’).

Logo cedo no dia seguinte, o célebre 13 de janeiro de 1924, logo às 8 horas, Dom Duarte Leopoldo e Silva presidiu solene pontifical na Matriz para a sagração do novo altar-mor. À tarde, às 16 horas, o arcebispo de São Paulo dirigiu-se ao Gabinete de Leitura Sorocabano, na própria praça Cel. Fernando Prestes, para importante e memorável reunião no salão nobre com a “Comissão Pró-Diocese” que monsenhor Domingos Magaldi havia constituído formalmente algum tempo antes, também para a constituição do patrimônio do futuro Bispado.

Presidida pelo Dr. Luiz Pereira de Campos Vergueiro, integravam essa “Comissão Pró-Diocese” o juiz de Direito Dr. José Thiago de Siqueira, Oscar de Barros, major Abílio Soares, conde Francisco Matarazzo, Francisco José Speers, comendador Antônio Pereira Ignácio, Dr. Bráulio Guedes, comendador Nicolau Scarpa, padre Luiz Augusto Sicluna, Dr. Diogo Moreira Sales, Dr. Bráulio Mendonça Filho, Dr. José Augusto de Salles Gomes, Domingos Piccirillo, coronel José de Barros, coronel João Augusto da Silveira, capitão João Clímaco de Camargo Pires, capitão José Antão de Arruda, José de Oliveira, Felipe de Moysés Betti, capitão José Brasílio de Oliveira, major Januário Salerno, major Antônio Gambeta de Mesquita e os jornalistas Joaquim Silva, Joaquim Firmino de Camargo Pires e Achilles de Almeida. Como assistente eclesiástico junto à Comissão aparecia o cônego Aristides da Silveira Leite, pró-pároco de Sorocaba. Inclusive, pouco antes desta visita histórica de Dom Duarte Leopoldo e Silva, monsenhor Domingos Magaldi, tendo colhido dados preciosos junto a esta “Comissão Pró-Diocese”, já havia ido a São Paulo para ter com o arcebispo, a quem conferiu o patrocínio da causa, convidando-o ao mesmo tempo para uma visita à cidade.

Dom Duarte Leopoldo e Silva

Recebido no Gabinete de Leitura sob calorosas salvas de palmas e vivas, Dom Duarte Leopoldo e Silva foi saudado pelo presidente da “Comissão Pró-Diocese”, Dr. Luiz Pereira de Campos Vergueiro, que ao terminar suas colocações passou às mãos do arcebispo uma representação do povo sorocabano pedindo a instalação do Bispado. Dom Duarte Leopoldo e Silva ao falar, agradeceu a recepção que lhe fazia Sorocaba, “terra que por muitos títulos estimo bastante”, “principalmente por ter sido o berço e guardar o túmulo de um sacerdote ilustre pelo saber e pelas virtudes, a quem devo os primeiros passos dentro da vida eclesiástica, o sábio organizador do Seminário de São Paulo, monsenhor João Soares”, pôs-se primeiramente a dissertar sobre o papel do Bispo como Pastor, amigo e pai dos seus diocesanos, para depois de lembrar com saudade a ação extraordinária do falecido bispo de Botucatu, Dom Lúcio Antunes de Souza, fazendo ver aos presentes quanto o Episcopado brasileiro vinha concorrendo para a glória e prosperidade da Pátria e quantos benefícios traz, assim, a multiplicação das dioceses.

Um telegrama, por sugestão do próprio arcebispo de São Paulo, foi transmitido em nome do governador do Bispado de Botucatu, da Comissão e do povo sorocabano ao núncio apostólico do Brasil, Dom Henrique Gáspari, então residindo no Rio de Janeiro: “Apresentando nossas respeitosas homenagens ilustre representante Santo Padre, temos grande prazer comunicar V. Exa. que se acham reunidos elementos necessários criação nova diocese”.

Colaboração: José Benedito de Almeida Gomes/Edição de Juliana Cuani. Originalmente publicado no Especial “Arquidiocese de Sorocaba 90 anos” – Jornal Terceiro Milênio/ 2014.