Fisionomia Espiritual

Ser cristão significa adquirir uma fisionomia espiritual bem definida. A “nova criação” (2Cor 5,17) realizada pelo Espírito Santo dá aos cristãos uma fisionomia espiritual à imagem e semelhança de Cristo. Desde o batismo, imprimindo o caráter sacramental, o Espírito Santo forma nas pessoas uma semelhança fundamental com Cristo; e com a vida da graça derramada continuamente, Ele satisfaz integralmente as exigências daquela primeira semelhança.

O Espírito reproduz em cada um de nós a face do Salvador, faz penetrar em nós o modo de pensar e de agir de Jesus, inspira-nos atitudes semelhantes àquelas descritas no Evangelho. A imitação de Cristo não é primeiramente uma obra nossa; é o Espírito que nos guia para uma imitação sempre mais interior, comunicando-nos as disposições íntimas de Cristo, tornando-nos participantes do amor que animou toda sua existência, moldando o nosso coração ao dele.

Esta obra de conformação a Cristo é realizada pelo Espírito Santo com a máxima delicadeza. Ele não impõe jamais uma imitação servil, que degeneraria não numa imagem, mas numa caricatura. Com efeito, uma pessoa nunca é a simples repetição de uma outra, e querer obrigá-la a isso significaria torná-la artificial e privá-la de suas características pessoais. A vida cristã postula, é verdade, uma identificação com Cristo, mas não ao ponto de suprimir ou absorver a personalidade dos indivíduos, as tendências particulares e as virtualidades próprias. O Espírito Santo nos faz viver da vida de Cristo, mas segundo a nossa individualidade, de acordo com o ambiente e as circunstâncias que condicionam nossa existência terrena e conforme os dons pessoais e a função social que exercemos.

O respeito profundo à personalidade de cada um é característica do Espírito Santo, pois tal respeito é próprio do amor. O Espírito Santo exercita uma influência profundíssima e dispõe de uma imensa força de atração, da qual se serve, evitando sufocar a personalidade da pessoa. A sua ação, portanto, personaliza.

Também o espírito do mal exercita uma influência profunda sobre a vida íntima da pessoa, mas, na medida em que o faz, ele despersonaliza, porque a escraviza e a esvazia do seu valor. O Espírito Santo age no sentido oposto: liberta a personalidade humana das suas servidões e favorece o desenvolvimento da sua originalidade, já que a vida superior que lhe comunica não a deprime, mas a eleva e lhe dá uma nova medida.

Na reprodução da face de Cristo em cada cristão entram, portanto, novos elementos. Não existem dois santos idênticos, pois não há somente uma fisionomia espiritual única para todos. Cada cristão atesta a prodigiosa riqueza da vida de Cristo, rica de virtualidades infinitas. E cada um atesta também a maestria do artista divino que reproduz Cristo autenticamente, mas sempre sob traços diversos em numerosos indivíduos.

Devemos admirar esse respeito do Espírito Santo pela personalidade humana e a maestria com a qual realiza, em cada indivíduo, uma fisionomia espiritual conforme ao temperamento de cada um.

A formação da fisionomia espiritual ocupa a existência humana inteira. Com uma grande delicadeza, o Espírito Santo utiliza-se de todas as situações, fazendo-as concorrer para a formação cada vez mais fiel da face de Cristo nos seus discípulos. Não querendo sufocar a liberdade, Ele quebra as resistências, fortifica as boas tendências do indivíduo para fazer delas o ponto de apoio de sua ação e põe à serviço do bem tudo aquilo que pode favorecer. Com paciência e perseverança invencíveis e com perfeita adaptação às circunstâncias, Ele forma a imagem de Cristo que convém a cada um. Por isso aqueles que mais se abrem à sua ação, permitindo-lhe criar a fisionomia espiritual que Ele previu para eles – ou seja, os santos – aparecem bem individuados na espontaneidade do seu temperamento humano e no ambiente em que vivem. É essa espontaneidade, estimulada pelo Espírito Santo, que torna tão atraente a personalidade dos santos.

Enfim, para apreciar essa obra do Espírito Santo nos indivíduos, convém recordar que ela faz parte de um plano geral. Nós admiramos as diversas fisionomias espirituais, e a disparidade delas nos assombra facilmente, mas a unidade delas não é menos impressionante. Na intenção do Espírito Santo, todas as diversas fisionomias convergem e se unem entre si para compor, na humanidade inteira, uma só e idêntica face de Cristo. Cada fisionomia espiritual ilumina uma particularidade da fisionomia espiritual de Cristo. Enquanto trabalha no segredo de cada pessoa, o Espírito Santo não cessa de pensar em todas as outras no âmbito de todo o gênero humano. Assim Ele coordena e organiza as diversas atividades individuais de modo a criar, contemporaneamente, uma admirável variedade de fisionomias pessoais e a fisionomia espiritual, ainda mais admirável, da imensa comunidade cristã.

 

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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