Devoção a Nossa Senhora da Ponte – padroeira da Arquidiocese de Sorocaba

Teologicamente, Nossa Senhora da Ponte é a medianeira de todas as graças. Ou ainda segundo a interpretação mística dada pelo beneditino frei Agostinho de Santa Maria, numa publicação portuguesa de fins do século XVIII sobre os títulos marianos invocados no Brasil de então, “a ‘Ponte’ que liga a Terra ao Céu”.

O culto e a devoção a Maria Santíssima dentro da comunidade cristã se fazem presentes desde os tempos apostólicos, atravessando estes 2 mil anos de história da Igreja. As primeiras imagens de Maria Santíssima foram, aliás, as Virgens Orantes das Catacumbas de Roma, representadas de pé, rezando com os braços abertos. Com o correr dos séculos, os muitos e diferentes títulos com que a Mãe de Jesus passou a ser venerada e invocada aqui e acolá, em todo o mundo, testemunham o terno amor do povo cristão de todas as épocas e culturas para com Nossa Senhora. Contudo, Maria Santíssima foi, é e sempre será uma só, a Virgem Mãe de Jesus.

No Brasil, a invocação de Nossa Senhora da Ponte em Sorocaba é única.

Algumas hipóteses históricas para a fixação dessa devoção trazida nos idos de 1654 pelo fundador Baltazar Fernandes, bandeirante procedente com a família e agregados de Santana do Parnaíba, são levantadas. Uma delas atribui-lhe origens portuguesas, dado à veneração à Santa Maria da Ponte na região do Minho, na cidade de Ponte de Lima, próxima à sede arquidiocesana de Braga (Portugal). O pároco da localidade na época era primo de Baltazar e, anos antes, estivera junto ao leito de morte da tia, em Santana do Parnaíba; poderia ter trazido consigo uma cópia da imagem de sua Padroeira, Nossa Senhora da Ponte, e entregue ao futuro fundador de Sorocaba. Outra, porém, até atribui à própria ponte que já existia sobre o rio Sorocaba quando o fundador Baltazar Fernandes e os primeiros povoadores aqui chegaram. Preferimos acreditar nas origens portuguesas da devoção, pois o rio Sorocaba e a ponte deixada no final do século XVI pelos Sardinha (pai e filho) que vieram explorar o Morro do Araçoyaba (conhecido popularmente hoje como Morro de Ipanema) em busca de ouro ficavam bem distantes para a época do local onde foi construída a primitiva Capela de Nossa Senhora da Ponte (depois com a construção da primeira Matriz em 1665/1666, no local em que está a atual Catedral Metropolitana, esta Capela foi anexada ao recém-fundado Mosteiro de São Bento (os Padres Beneditinos chegaram em 1660), recebendo inicialmente o orago de Nossa Senhora da Anunciação, passando à igreja de Sant’Ana, como até hoje, em meados do século XVIII, com a chegada de Portugal do atual retábulo e da belíssima imagem de Sant´Ana Mestra.

A imagem da Virgem da Ponte 

A atual imagem de Nossa Senhora da Ponte na igreja da Catedral Metropolitana não é aquela primitiva trazida a Sorocaba pelo fundador Baltazar Fernandes em fins de 1654. Trata-se de uma segunda, esculpida em madeira por encomenda da Paróquia de Sorocaba (então ligada à Diocese de São Paulo) na cidade do Porto (Portugal) e data de 1771. Tem estilo barroco e pesa mais ou menos 300 quilos. Traz o Menino Deus no braço esquerdo e o cetro na mão direita.

Foi o Papa João XXIII quem, a 1° de julho de 1960, declarou oficialmente Nossa Senhora da Ponte como Padroeira da Cidade e da Diocese de Sorocaba, hoje Arquidiocese.

Consagração a Nossa Senhora da Ponte

Nossa Senhora da Ponte,

Virgem Santíssima, Mãe de Deus e nossa,

Padroeira da cidade e da Arquidiocese de Sorocaba,

Eis-nos aos vossos pés,

Com hinos e louvores,

Que veem do fundo de nossas almas!

Reinai sobre vossos filhos!

Protegei sob o vosso manto e,

Pelo vosso Imaculado Coração

Nossas cidades e campos,

Nossos trabalhos e lazeres,

A infância, a juventude, a velhice

E todas as nossas Igrejas.

De novo, nós vos consagramos, desde hoje e para sempre,

À vossa proteção celestial.

Sede para nós a mística ponte

Através da qual possamos chegar sem perigo

Ao paraíso, onde convosco bendiremos a Deus.

Amém.

Colaboração: José Benedito de Almeida Gomes/Edição de Juliana Cuani. Originalmente publicado no Especial “Arquidiocese de Sorocaba 90 anos” – Jornal Terceiro Milênio/ 2014.