Comentário ao Evangelho – Terça-Feira 19/05/2020

6ª Semana da Páscoa – ANO A

Jo 16, 15-11

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Podemos interpretar a palavra de Jesus “Agora parto para aquele que me enviou” como se Jesus estivesse falando de sua ressurreição e ascensão. Mas não devemos esquecer que Jesus faz essa afirmação antes de sofrer a paixão. Portanto, “ir para aquele que o enviou” não se refere primeiramente à ascensão, mas à sua morte. Jesus fala em ir ao Pai pensando na sua morte. Ir para o Pai significa dar a sua vida em sacrifício e essa é a condição do dom do Espírito Santo: “se eu não for, não virá até vós o Defensor”.

A condição da vinda do Espírito Santo não é a ascensão, mas a morte na cruz. Ou melhor, devemos entender também a ascensão de Jesus no sentido próprio do Evangelho de João. Subir significa subir na cruz. Ser elevado, significa ser elevado na cruz. Assim, por meio da morte na cruz e da ressurreição, Jesus é elevado e glorificado. Por meio dessa ascensão na cruz, Jesus é glorificado e glorifica em si mesmo todos nós.

Ao glorificar Deus com o seu sacrifício na cruz, Jesus transforma a sua humanidade, assumida na encarnação, numa humanidade que é capaz de transmitir Deus, de transmitir o Espírito Santo. Ao obedecer a vontade do Pai, que o enviou, e ao nos amar até o ponto de entregar a sua vida, Jesus fez de sua humanidade uma humanidade nova, uma humanidade que agora nos transmite o dom do Espírito Santo.

Prestemos atenção a esse mistério: nós recebemos o Espírito Santo por meio da humanidade de Jesus. O Espírito que ungiu Jesus no batismo do Jordão, o Espírito que conduziu Jesus em seu ministério público e que Ele entregou ao morrer na cruz, esse é o Espírito que recebemos de Jesus.

Assim a separação de Jesus é, na verdade, uma separação aparente, uma vez que a sua morte vai selar uma união de coração muito mais profunda por meio do dom do Espírito Santo.

Esse mistério ilumina também quando perdemos uma pessoa querida. A morte não nos separada dela. Pelo contrário, por causa do dom do Espírito, estamos tão unidos a Jesus que, com a morte, nos unimos ainda mais às pessoas que já morreram. Mesmo que não tenhamos a alegria da presença física dos nossos falecidos, experimentamos pela fé que agora temos uma intimidade e uma união incomparavelmente mais real e profunda do que enquanto elas estavam vivas.

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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