Comentário ao Evangelho – Sexta-feira 11/03/2022

Sexta-feira da 1ª semana da quaresma

Ez 18,21-28

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A leitura relata a revolta de muitos contra Deus: “Vós dizeis: o caminho do Senhor não é reto!” Por que o povo se queixa desse modo contra a justiça de Deus? Para entender essa acusação contra Deus é preciso entender o contexto em que ela se dá.

O povo está no exílio. Seu cotidiano amargo de exilados é o resultado de muitos séculos de prevaricações e pecados acumulados das gerações anteriores. Assim os exilados sofrem, segundo a teologia da época, o castigo dos pecados dos pais. Era muito conhecido entre os exilados o provérbio: “Os pais comeram uvas verdes e os dentes dos filhos ficaram embotados” (Ez 18,2).

Dessa forma os exilados sentiam-se injustiçados pelo castigo divino que lhes tocava. Eles tinham consciência de que não eram inocentes, mas o castigo que estavam suportando era desproporcional à culpa pessoal.

O profeta Ezequiel se levanta em nome de Deus contra essa acusação. Em nome de Deus ele prega: “Que provérbio é esse que andais repetindo na terra de Israel? Por minha vida, esse provérbio não repetireis mais”.

Estamos diante do conteúdo doutrinal mais importante do Livro do profeta Ezequiel. Ezequiel não nega o princípio de solidariedade, mas o completa: “Ouvi, casa de Israel: é o meu caminho que não é reto, ou são os vossos caminhos que não são retos? Acaso tenho prazer na morte do ímpio? Não desejo antes que se converta de seus caminhos e viva?

O princípio da responsabilidade pessoal é um chamado insistente à conversão. Cada um deve assumir suas responsabilidades diante de Deus e não ficar reclamando contra a justiça de Deus. Na realidade, ficar se queixando de Deus é uma atitude cômoda, pois nos dispensa da necessária conversão.

É verdade que os fatos do passado influenciam e condicionam fortemente qualquer decisão nossa do presente. Mas o passado não é uma herança fatídica; o passado não determina o presente nem aprisiona a pessoa humana. É possível superar os condicionamentos do passado com uma responsável conversão a Deus. Podemos, portanto, superar o peso negativo do passado, pois Deus não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva.

É verdade que todos nós sofremos no presente com os influxos negativos de ações passadas. Ao mesmo tempo, sabemos que Deus quer a nossa conversão e nossa vida, por isso o passado não tem o poder de determinar nosso presente e futuro com Deus.

 

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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