Comentário ao Evangelho – Segunda-feira 18ª TC – 07.08.2023

Segunda-feira 18ª TC

Nm 11,4-15

A leitura descreve o cansaço do povo e o cansaço de Moisés.

O povo está cansado do maná. Mesmo sendo ele um alimento miraculoso que se repete todos os dias, o povo se queixa de um prato único que se lembra de maneira nostálgica da antiga escravidão no Egito como uma existência paradisíaca: “quem nos dará carne para comer? Recordamos os peixes que comíamos de graça no Egito, os pepinos e os melões, as verduras, as cebolas e os alhos. Aqui nada tem gosto ao nosso paladar, não vemos outra coisa a não ser o maná”.

Essa queixa é dirigida a quem tirou o povo do Egito e o trouxe ao deserto. O guia visível é Moisés, mas por meio de Moisés o povo murmura contra Deus. A nostalgia olha para a escravidão do Egito como o lugar da abundância em peixe e legumes. A idealização da antiga escravidão, despreza a liberdade dada por Deus. Em vez de dar passos concretos para se manter na liberdade, o povo quer retroceder. Parece que a opressão e a escravidão sejam preferíveis à própria liberdade quando esta custa algo.

Moisés se mostra contagiado pelo cansaço do povo. Em outros momentos, Moisés tinha se mostrado tão poderoso, agora se descobre impotente. É surpreendente a oração de Moisés. Aparentemente parece que, ele também murmure contra Deus, mas, se ouvirmos com atenção a sua oração, notaremos que se trata de uma queixa amorosa e comedida. Moisés reconhece que o povo é uma carga imposta por Deus, que não foi buscada ambiciosamente. Por isso a queixa é, no fundo, uma confissão da própria impotência e um pedido de ajuda. É como se ele dissesse: Sozinho eu não posso! Moisés reconhece que o povo é de Deus e não seu! Por isso, ninguém pode conduzir o povo a não ser o próprio Deus. Essa é uma confissão de impotência digna de um líder religioso. O povo de Deus só pode ser conduzido por Deus: foi Deus que elegeu o seu povo; Deus é sua origem e destino; Deus é também o caminho por onde o povo de caminhar!

Quem deseja conduzir outros para a salvação precisa ter a mesma humildade de Moisés.

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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