Comentário ao Evangelho – Segunda-feira 15/08/2022

Segunda-feira da 20ª Semana do TC

Ez 24,15-24

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Mais uma vez estamos diante de uma ação profética de Ezequiel: o que acontece com Ezequiel preanuncia o que irá acontecer com o povo.

Ezequiel sofreu grande dor pela morte de sua mulher “o encanto dos seus olhos”. Ante a esse acontecimento dramático, Ezequiel não se comportou de modo normal: ele não manifestou externamente a sua dor. Seguindo o que o Senhor lhe ordenou, Ezequiel sofreu em um silêncio incomum. “Geme em silêncio, sem fazer o luto dos mortos. Põe o turbante na cabeça, calça as sandálias nos pés, sem encobrir a barba, nem comer o pão dos enlutados”. O povo pergunta: por que esse comportamento estranho e inaudito?

O drama familiar de Ezequiel serve de sinal profético: o que aconteceu com ele, vai acontecer ao povo: “Vou profanar o meu santuário, o objeto do vosso orgulho, o encanto dos vossos olhos, o alento de vossas vidas. E fareis assim como eu fiz: não cobrireis a barba, nem comereis o pão dos enlutados, levareis o turbante na cabeça, as sandálias aos pés, sem vos lamentar nem chorar”. O sinal profético anuncia a destruição do Templo do Jerusalém que era o “encanto dos olhos” do povo, mas o povo sequer terá tempo de lamentar e chorar esse trágico acontecimento, porque será deportado do país.

O povo era, de fato, muito apegado ao Templo de Jerusalém. Por isso ele pode ser descrito como objeto de orgulho e encanto dos olhos. Para o povo o Templo não é somente uma bela construção, mas era a morada de Deus, o sinal da presença do Senhor em meio ao povo, quase como um sacramento da aliança nupcial com Deus.

Por que Deus anuncia então a sua profanação? Na verdade, ele já tinha sido profanado pelas iniquidades do povo e pelo comportamento reprovável de seus representantes. Assim a profanação do Templo, no fundo, carrega em si uma intenção de amor: a intenção de Deus é a de realizar a conversão do povo. Com efeito, depois da destruição do templo e da deportação do povo, o povo se recordou das profecias de Jeremias e de Ezequiel. Meditaram essas profecias e delas tiraram a graça da conversão a Deus. Reconheceram a culpa e entenderam a intenção divina de perdoar e de recomeçar mais uma vez uma relação profunda numa nova aliança.

Também nós somos convidados a reler as profecias de Ezequiel, pois, conforme escreveu São Paulo: “Essas coisas lhes aconteciam como exemplo e foram escritas como advertência para nós” (1Cor 10,11). “Tudo o que outrora foi escrito, foi escrito para a nossa instrução, para que, pela constância e consolação que nos dão as Escrituras, sejamos firmes na esperança” (Rm 15,4). A palavra de Deus, também quando nos é muito severa, é sempre motivo de esperança porque sempre nos abre para a salvação, depois de uma necessária purificação.

 

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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