Comentário ao Evangelho – Segunda-feira 02/11/2020

Comemoração de todos os fiéis defuntos

Jo 6, 37-40 


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Somos seres destinados à morte. Nisto está nosso drama, pois por mais que amemos a vida, ela termina. A morte que não está fora de nós, está inscrita em nossa condição humana. Ela não sobrevém a nós; nós é que somos mortais! Desde o nascimento estamos marcados por ela de tal forma que um recém-nascido já é bastante velho para morrer. Nascemos para morrer, e toda nossa existência corre em direção desse desenlace inevitável. Nossa impotência em mudar este constitutivo de nossa natureza é radical. Não há para nós nenhuma possibilidade de autossalvação! A morte acaba com nossas ilusões de um auto-aperfeiçoamento ilimitado.

A morte é um evento que me diz respeito. Não são os outros que morrem; sou eu que morro, ou meu pai, minha mãe, meu irmão que morre! A morte sempre será experimentada como um drama.

O nosso drama, porém, foi assumido por Jesus. Ele assumiu nosso morrer para evitar que o drama acabasse na tragédia. Quanto maior é a experiência de nossa impotência, com a qual afrontamos a morte, maior e mais radical aparece a esperança da ressurreição. A ressurreição não dissolve o drama, supera-o.

A ressurreição é uma outra palavra para definir a atitude de Deus em relação a nós. Deus nos criou do nada, mas ele não quer que retornemos ao nada porque Ele é fiel. É difícil acostumar nosso olhar e ver as coisas como Deus vê. Assumir o olhar de Deus significa abrir-se para uma grande esperança, começar a viver uma grande promessa. Deus nos revelou em Jesus Cristo que seu desejo mais ardente e sua vontade mais firme é a nossa vida e a do mundo. Por isso, em vez de falar de fim da vida, deveríamos falar de futuro da vida.

A nós é dado assistir ao milagre do ser; somos convidados a acompanhar como Deus cria, mantém e faz desenvolver as coisas e as pessoas. Por isso ressurreição significa professar nossa confiança inabalável em Deus. Sua fidelidade é tal que deseja nos recriar. Este é um traço absolutamente singular do amor de Deus: Ele não rejeita a sua primeira obra, para começar uma totalmente nova.

Creio na ressurreição da carne! Deus ressuscita não somente uma parte de nós, mas nosso ser integral. Ele ama integralmente, por isso tudo ressuscita. Que diferença! Para nós as pessoas queridas continuam a viver em nossa memória, nos objetos que guardamos. Por mais que amemos muita coisa se perde da pessoa que partiu. Mas para Deus nada é perdido.

Ressurreição da carne significa que nada de nós se perderá para Deus, porque Ele ama tudo o que somos e vivemos. Todas as lágrimas, Ele as recolheu, e nenhum sorriso lhe escapou. Tudo é acolhido pelo Pai e transfigurado de eternidade. Ressurreição da carne significa que em Deus iremos achar novamente não somente o nosso último suspiro, mas toda a nossa história.

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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