Comentário ao Evangelho – Sábado 25/12/2021

Natal – Missa da Noite

Lc 2, 1-14

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Aconteceu que naqueles dias, César Augusto publicou um decreto, ordenando o recenseamento de toda a terra. Este primeiro recenseamento foi feito quando Quirino era governador da Síria.

Com estas palavras, Lucas introduz a sua narrativa sobre o nascimento de Jesus e explica porque ele aconteceu em Belém: um recenseamento, com a finalidade de determinar e depois cobrar os impostos. Essa é a razão pela qual José e Maria se deslocam de Nazaré até Belém.

A menção de César Augusto não é por acaso. Ela é intencional: serve para colocar em relação Jesus e César Augusto. O que eles têm em comum? O que eles têm de diferença?

Há uma inscrição histórica na qual vemos como César Augusto queria ser visto e considerado. O nascimento do Imperador conferiu uma fisionomia diferente ao mundo inteiro. O mundo teria se arruinado, se não tivesse nele nascido e brilhado uma felicidade universal. A Providência, que dirige a nossa vida, cumulou este homem de tais dons para a nossa salvação e para a salvação das gerações futuras. O dia do nascimento do Imperador foi para o mundo o início do evangelho. A partir do nascimento do salvador deve começar uma nova contagem do tempo (tradução livre da Inscrição de Priene, 9 a.C.).

Notem que César Augusto se considera e deseja ser considerado soter = salvador. O próprio título de Augusto possui uma conotação divina (sebastos = adorável). O imperador César Augusto queria ser considerado como o salvador que começou um novo tempo, e por isso o tempo devia começar a ser contado a partir dele.

Duas coisas importantes já podemos indicar sobre o nascimento de Jesus. Jesus não é um mito. Ele é um personagem histórico que pertence a um tempo e a um lugar: nasceu em Belém, no tempo de César Augusto, quando Quirino era governador da Síria, no contexto do recenseamento.

No tempo do nascimento de Jesus, todos falavam de paz e de justiça para o mundo todo. Também César Augusto se fazia chamar de salvador e de príncipe da paz. Depois dele, os Imperadores romanos faziam questão de serem saudados de “restaurador do mundo”, “esperado do povo”, “restituidor da luz”. Para o senso comum, para a maioria das pessoas a mentalidade era a de que somente o forte, somente quem tem o poder dos exércitos, só quem tem o comando pode impor a paz ao mundo e trazer a salvação para a humanidade.

O que os anjos anunciam aos pastores arrebenta com essa mentalidade!

Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor.

Isto vos servirá de sinal: Encontrareis um recém-nascido

envolvido em faixas e deitado numa manjedoura.

O sinal de que nasceu o Salvador é um não-sinal: é um recém-nascido, envolvido em faixas, deitado numa manjedoura!

Somente Deus podia realizar uma mudança tão radical da lógica humana. Somente Deus poderia pronunciar um não tão radical àquilo que as pessoas sempre pensaram. Nós sozinhos nunca teríamos ousado afirmar tamanha reviravolta na escala de valores. Sozinhos nunca teríamos cogitado uma novidade tão grande quanto revolucionária. O Salvador, o Príncipe da Paz, o Cristo Senhor é este recém-nascido envolto em faixas, deitado na manjedoura.

O que viram os pastores e o que nós devemos ver?

O menino envolvido em panos já antecipa a hora da morte e da sepultura de Jesus. Jesus é desde o seu nascimento o imolado e a manjedoura se torna já o altar do sacrifício.

A manjedoura é o lugar onde os animais encontram o seu alimento. No natal, está deitado na manjedoura aquele que é o Pão descido do céu para ser nosso Pão da vida. A manjedoura se torna a mesa de Deus para a qual somos convidados para comer o Pão de Deus.

Na pobreza do nascimento de Belém se revela que o verdadeiro Salvador e o Príncipe da paz não é César Augusto, mas o recém-nascido envolto em faixas e deitado na manjedoura.

Natal é o encontro do Deus humilde e frágil que vem até nós.

É a arte divina do encontro que cura todo mundano desencontro!

No Natal nós vamos a Ele, porque Ele veio a nós, indefeso, desarmado e humilde.

Neste Natal, deixemo-nos olhar pelo Senhor;

permitamos que Ele venha a nós,

e nos encontre,

e nos ame,

e nos olhe!

Abraçados por esse Amor terno e pessoal do Verbo Encarnado,

desejo a você e à sua família, um Santo Natal!

 

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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