Comentário ao Evangelho – Sábado 17a semana TC – 05.08.2023

Sábado 17a semana TC

Lv 25,1.8-17

A leitura descreve como a lei do Ano Jubilar que é celebrado a cada cinquenta anos. O Jubileu tem alguns elementos surpreendentes: as terras alienadas são devolvidas aos seus primeiros donos, as dívidas são perdoadas, os escravos são libertados e a terra descansa.

Como se pode notar o objetivo do Jubileu tem forte caráter social. Com efeito todas as exigências do Jubileu têm como finalidade evitar a monopolização e a concentração da terra nas mãos de poucos e o excessivo enriquecimento destes mesmos poucos.

É preciso, no entanto, reconhecer que a finalidade social do Jubileu tem um fundamento religioso e teológico. O Jubileu procurava resolver os desequilíbrios e as desigualdades que se produzem na sociedade. Os bens vão, pouco a pouco, sendo acumulados nas mãos de uns poucos até que os mais pobres são obrigados a se sujeitar à escravidão para assim poder sobreviver. A lei do Jubileu denuncia e tenta corrigir esse mal da concentração da riqueza e das fontes de produção por um pequeno grupo de ricos. Tal concentração de riquezas sempre tem com consequência o empobrecimento de uma maioria que carece dos bens mais necessários, incluindo a própria liberdade.

Essa lei radical está fundamentada na concepção de que os bens deste mundo, segundo a vontade e desígnio de Deus, foram criados e são para todos. A terra é, no fim das contas, propriedade de Deus. Por isso, o ser humano o recebe para dela cuidar e cultivar, não para a explorar e a devastar. A natureza pertence a todos, também para as gerações futuras, por isso no ano jubilar a terra deve descansar. Na verdade, no ano jubilar todos devem descansar: os animais, os seres humanos e a terra.

Um bem inalienável é a liberdade humana. O destino da pessoa humana é ser livre, e a escravidão é uma anomalia que dever ser corrigida pelo ano jubilar.

Mesmo que não tenhamos mais essa instituição do Jubileu como o descrito no Levítico, a finalidade social e religiosa deve ser sempre buscada no presente e no futuro.

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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