Comentário ao Evangelho – Sábado 12/12/2020

Sábado – Nossa Senhora de Guadalupe

Lc 1, 39-47

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As aparições da Virgem Maria atraem multidões: Guadalupe (fala-se de sete milhões de peregrinos ao ano), Lourdes (quatro milhões e meio ao ano), Aparecida (seis milhões).

As visões e aparições de Deus normalmente se dão por meio de sonhos e dos símbolos, pois Deus é Invisível e todas as vezes que ele aparece devemos levar em conta que não se trata de percepção normal dos objetos materiais. Ele se mostra no fogo, na nuvem, na leve brisa, nos sonhos de Jacó, de S. José, de Paulo.

No caso de Jesus ressuscitado e de Maria podemos falar de aparições, pois se trata de corpos glorificados. Eles podem ser percebidos em sua forma própria.

Uma singularidade das aparições de Maria se evidencia no fato de que Maria se manifesta assumindo vestes, estatura e até idades diferentes. A explicação para essa diversidade é a adaptação pedagógica a cada pessoa que a vê, ao seu ambiente e à sua cultura.

Muitas são as aparições na história do cristianismo. Na antiguidade temos notícias de aparições a Gregório Taumaturgo (†270), a Teófilo (Idade Média), o milagre de S. João Damasceno (749).

Guadalupe

Cinco aparições entre 9 a 12 de dezembro de 1531. Na manhã de 9 de dezembro, João Diego, indígena de Cuautitlán, há pouco convertido e batizado, se dirigia para a Igreja de Santa Cruz de Tlatelolco para assistir às aulas de catecismo. Ao passar perto da colina de Tepeyac, ouviu um suave gorjeio. João Diego, surpreso, começou a ouvir um chamado vindo da colina. Quando chegou ao alto da colina, ele viu uma Senhora de uma beleza sobre-humana. Ela pedia que se construísse um santuário naquele lugar.

As aparições parecem levantar um problema para a fé cristã que se define como adesão à Verdade – Realidade não evidente. De fato, a fé é convicção daquilo que não se vê (Hb 11,1) e antecipação daquilo que se espera. No evangelho de João ouvimos: “Felizes os que não viram e creram!” (Jo 20,29). Crer é aderir àquilo que não é evidente.

Essa contradição pode ser superada quando recordamos que as aparições não substituem a necessidade e a felicidade da fé, mas a evidencia, colocando a fé como princípio para reconhecer e distinguir a própria aparição de uma ilusão ou delírio.

As aparições não se colocam acima da Revelação feita por Cristo, registrada nas Escrituras e transmitida pela Igreja. As aparições recordam ou explicam o que foi revelado por Cristo, não está nunca em contradição ao Evangelho de Cristo.

Não podemos excluir de antemão que Cristo ou Maria ou um Santo possam se manifestar de modo autêntico.

Maria é aquela que está mais perto de Cristo e é também aquela que mais se aproxima de nós como membros do Corpo místico de Cristo. Ela é a serva do Senhor que com a sua função materna e na sua condição de glorificada deseja “fazer o bem sobre a terra”.

 

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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