Comentário ao Evangelho – Sábado 06/08/2022

Sábado: Transfiguração do Senhor – Festa

Lc 9,28b-36

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Celebramos hoje o dia em que Jesus se transfigurou no monte diante dos discípulos Pedro, Tiago e João. A liturgia da palavra nos fala do significado deste acontecimento.

  1. O que a transfiguração significa em si mesma? Qual é a sua importância para a fé cristã? A transfiguração revela para nós quem é Jesus Cristo. Ela possui um valor em si mesma como um fato miraculoso pelo qual se nos revela quem é Jesus. Neste momento o véu que encobria o mistério de sua pessoa é retirado. Por detrás de suas origens humildes, de sua pobreza, da insignificância de seus meios se esconde, verdadeiramente, a glória do Filho eterno do Pai.

Os discípulos não ficaram imunes às dúvidas em relação a Jesus. Quase todas as pessoas e as instituições daquele tempo se voltaram contra Ele. Jesus foi acusado de falso profeta, de herege, de possesso, de charlatão. Ora, diante de tudo isso se levanta a pergunta: com quem está a verdade? Com a minoria – Jesus e os discípulos – ou com a maioria da sociedade e da religião daquela época?

A transfiguração desfaz todas as ambiguidades. É o próprio Deus do céu que se pronuncia em favor de Jesus: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo, ouvi-o sempre!”. Diante deste homem fraco e contestado nos encontramos diante do próprio Filho de Deus que visitou o seu povo para o libertar. A fé dos apóstolos e a nossa sai fortalecida porque o escândalo da insignificância histórica de Jesus é superado: vemos a glória de Deus, a Lei e os Profetas que dão testemunho dEle.

  1. Qual o significado da Transfiguração para Jesus? A transfiguração também tem um sentido para o próprio Jesus. Jesus estava vivendo um momento de crise provocado pela sua própria pregação, pelas suas atitudes e pela sua vida.

A primeira fase do ministério público de Jesus tinha se caracterizado pelo entusiasmo, pela reação positiva do povo e dos apóstolos. Na medida, porém, que ia ficando claro o que Jesus queria com o anúncio do Reino uma crise começou a se armar.

Por que? Jesus pregava um Reino que era a transformação total do homem e do mundo mediante a conversão radical, de um novo tipo de relacionamento para com Deus, Pai de infinita bondade e para com todos os irmãos. E não era isso que o povo esperava: ansiava por um Messias libertador que iria instaurar um novo poder terrestre. Ora, Jesus não aceitou este tipo de messianismo. Por isso ele foi ficando cada vez mais só.

Nesse momento, Jesus se coloca em oração. É um momento importante, decisivo na vida de Jesus. É assim que neste clima de crise e tentação, mas também de oração que o Pai se manifesta ao Filho.

Jesus jamais quebrou a fidelidade ao seu Pai. Sofreu, mas assume aquilo que se revelou como vontade concreta de Deus: seguir fiel, mesmo tendo de morrer rejeitado na cruz. A transfiguração significou para Jesus a certeza de que Deus não o havia abandonado. Todos podiam tê-lo rejeitado, os discípulos podiam ter compreendido mal sua palavra, Deus, entretanto, confirmou a justeza das decisões de Jesus. A voz do Pai é clara: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo, ouvi-o sempre!”. Não somente os apóstolos, mas também Jesus sai fortalecido em sua fidelidade e obediência ao Pai.

  1. Qual o sentido da transfiguração para os apóstolos? Os apóstolos guardaram viva a lembrança deste acontecimento e os evangelistas nos transmitiram isto não apenas com a intenção de nos revelar o mistério da pessoa de Jesus, o Filho de Deus encarnado, nem somente para mostrar o apoio do Pai no meio das tentações de Jesus, mas também para nos comunicar uma lição.

Qual lição? O seguimento de Jesus implica comungar de sua vida e também de seu destino. Seguir Jesus significa abraçar o Reino de Deus e rejeitar o reino deste mundo, o pecado. Este seguimento inclui conversão, sacrifícios, rupturas. Mas o sentido de todo este empenho nos é revelado pela transfiguração: na cruz de Cristo há ressurreição, em todo o sacrifício vigora uma redenção, e na morte por amor triunfa uma vida. Seguir Jesus não é só carregar a cruz, mas também ser glorificado, ser transfigurado nEle. Eis a grande lição que se tira da transfiguração de Jesus.

 

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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