Comentário ao Evangelho – Quinto Domingo da Páscoa – 07.05.2023

Quinto Domingo da Páscoa

Jo 14,1-12

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Quando estamos diante de um filho, somos levados a pensar no pai, porque vigora sempre alguma semelhança entre pai e filho. Em alguns filhos, a semelhança é tão grande que chegamos a dizer: “é a cara do pai!

Com Jesus não ocorre assim. Entre Ele e o Pai eterno não há semelhança de natureza; é a mesma natureza e um e em outro. Por isso devemos reconhecer: estar diante do Filho é o mesmo que estar diante do Pai. Em Jesus, o Pai se nos revelou assim como Ele é.

Muitas vezes nossa tendência é a de imaginar Deus, para depois projetar em Jesus algo deste divino que nós imaginamos. As palavras de Jesus nos obrigam a pensar de modo inverso: devemos olhar para Jesus de Nazaré, para sua vida, palavra e morte, e depois dizer: assim é Deus, assim é o Pai!

Jesus nos assegura que as suas palavras não vêm dele, mas do Pai (Jo 14,10). Podemos sintetizar as palavras de Jesus em duas: Pai (quem é Deus) e Reino de Deus (qual é seu desígnio).

Jesus nos revela Deus de infinita bondade e que ama os ingratos e maus; porque se revela como Pai, nos revela também que somos seus filhos e, consequentemente, irmãos uns dos outros. Em seguida, este Pai nos comunica, por Jesus, seu próprio desígnio, aquilo que chamamos de Reino de Deus. Reino de Deus é a transfiguração de toda a criação que não será destruída, mas purificada e exaltada; nela não haverá mais injustiça nem motivo de lágrimas, nem morte. Este reino não é totalmente futuro e longínquo, mas ele já está dentro de nós e irrompeu na pessoa de Jesus. Jesus é a presença do Reino de Deus, feito carne.

As palavras de Jesus nos advertem também que neste Reino não se entra mecanicamente, mas é necessário aceitá-lo na fé: é preciso crer em Jesus e se converter. Converter-se exige rupturas, largar o pecado e assumir novas atitudes no espírito das bem-aventuranças.

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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