Comentário ao Evangelho – Quinta-feira da 26ª Semana TC – 05.10.2023

Quinta-feira da 26ª Semana TC

Ne 8,1-4a.5-6.7b-12

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A assembleia de Esdras e Neemias é muito significativa.

  1. Todo o povo se reúne. A reunião não é iniciativa das pessoas. Não se trata de uma assembleia – convocação profana. É Deus que reúne e convoca. O povo atende à convocação e se reúne. Também nós obedecemos a um chamado de Deus.
  2. O povo se reúne “como um só homem”. A reunião, porque é realizada por Deus, é também união de corações. “Formar como um só homem” é uma expressão semelhante a um só coração e uma só alma; unânime. Em Cristo nós somos um só. Jesus disse: “eu sou a videira, vós sois os ramos”. São Paulo fala de um só Corpo e muitos membros.
  3. “Esdras abriu o livro à vista de todo o povo, pois se encontrava em lugar elevado. Esdras abriu o livro e o povo ficou de pé”. Todas essas ações indicam que será proclamada a Palavra de Deus. Mais ainda de que a assembleia vai escutar a leitura.
  4. “Os levitas liam o livro da Lei de Deus traduzindo e explicando para que se entendesse a leitura”. As pessoas não entendiam mais a língua hebraica e por isso precisavam de alguém que lhes traduzisse o texto. A tradução não é, porém, mera transposição de um idioma a outro. A tradução vem acompanhada de explicações para que as pessoas entendam, ou seja, para que saibam como aplicar, atualizar e viver no concreto da vida o que a Palavra de Deus ordena. A Palavra de Deus deve ser transmitida como ela é: Palavra viva, Palavra que dá vida. É uma Palavra que não só ordena o que devemos fazer, mas dá a vida nova para que realizemos o que a Palavra nos ordena. Esse é o sentido do serviço do ministro da Palavra. Ele não anuncia suas ideias e opiniões. Ele proclama a Palavra viva e vivificante que muda o coração, que não somente indica o que devemos fazer, mas nos comunica a vida nova em Cristo para fazer o que a Palavra nos ordena.
  5. “O povo chorava ao ouvir a leitura da Lei”. O choro do povo pode ser devido às ameaças e às repreensões que escutavam da Palavra. É uma reação de pesar por constatar como a vida concreta está longe do ideal da santidade que a Palavra de Deus exige. Muitas vezes também nós somos impactados pela distância que está a nossa vida concreta da Santidade que se manifesta na Palavra proclamada. Por isso iniciamos a missa com um ato penitencial. Esta atitude de penitência, no entanto, nos acompanha durante toda a celebração: é o Senhor que nos faz dignos, nós dizemos “não sou digno de que entres em minha morada”.
  6. “Não fiqueis tristes nem choreis… hoje é dia consagrado ao Senhor”. Ao ver que o povo chorava, o governador Esdras, o sacerdote Neemias e os levitas consolavam o povo. Não devem ficar tristes pois é do “agrado do Senhor que o povo fique alegre”. A Alegria não é nossa; nos é dada por Deus. É Deus a fonte da nossa alegria. É Ele a nossa alegria. Neste templo somos consolados pelo Senhor. É Ele que nos consola; a sua alegria é a nossa força.

Lc 10,1-12

Ouvimos o relato do envio dos 72 discípulos por Jesus. Alguns pontos valem a pena ser destacados.

O ponto de partida está no fato de que o Reino vem, está próximo. Não é a missão que está na origem do Reino. Pelo contrário, é o reino que suscita missionários que o anunciam e o preparam. Para além de todas as hesitações dos homens, está a certeza de que Deus salva, isto é, de que o “reino está perto”.

Considerado em si mesmo, o reino vem como paz. Por isso, os missionários têm que invocar a paz de Deus sobre as casas e cidades onde vão. Recorde-se que, segundo a Bíblia, essa paz não consiste na ausência de guerra aberta, mas na irrupção e na presença dos bens messiânicos, entre os quais se inclui, fundamentalmente, a abertura a Deus e a justiça inter-humana.

A palavra de Jesus assegura ao missionário a possibilidade de a sua mensagem ser ouvida: todo o texto deixa entrever que existem famílias e cidades que recebem o chamamento para o reino. Nesta situação, alude-se à necessidade da partilha dos bens. O mensageiro inteiramente dedicado à tarefa do reino, oferece a palavra gratuitamente; aqueles que o escutam, oferecem generosamente o seu lar e alimento. Cada um dá o que tem, e todos partilham fraternalmente os seus bens.

No fundo de toda a mensagem de Jesus, alude-se, finalmente, à possibilidade de um confronto. Nesse caso, a situação de cada uma das partes é diferente: os discípulos encontram-se como ovelhas nas mãos dos lobos; carecem da possibilidade de defesa e não têm outra solução que não seja o caminho de Jesus, que os leva à morte. Os perseguidores, por sua parte, correm o risco de fracasso definitivo e eterno na condenação e na perdição. No entanto, a ninguém é permitido antecipar a condenação.  O discípulo missionário arde com a mesma paixão e com o mesmo amor de Jesus que quer que todos se salvem e que os pecadores se convertam.

Rezemos para que nunca falte na Igreja missionários que tenham o mesmo ardor e o mesmo fogo de Jesus. Rezemos para que sejamos nós missionários ardorosos do Evangelho.

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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