Comentário ao Evangelho – Quinta-feira da 12ª Semana TC – 29.06.2023

Quinta-feira da 12ª Semana TC

Gn 16,1-12.15-16

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Na história de Abraão três promessas divinas estão na base de sua fé em Deus: a descendência, a terra e a bênção. A promessa da descendência é a que tem lugar de destaque. A realização da promessa divina da descendência tem elementos dramáticos. Abraão é já idoso, a sua mulher Sarai além de idosa é estéril. Por essas condições, não há esperança de que a promessa de descendência se realize. Temos a impressão de que a promessa de Deus a Abraão de que este será pai de uma grande nação nunca se realizará.

A promessa de Deus, porém, não se limita, como podemos pensar, a fazer de Abraão o pai de um povo numeroso. A promessa divina é ainda mais grandiosa e, por isso, parece ainda mais inalcançável: Deus promete que o povo originado de Abraão não será somente numeroso, mas será o povo predileto de Deus. Não é somente qualquer povo que nascerá de Abraão, mas o Povo de Deus.

Uma vez que parece impossível para Abrão que Sarai lhe dê um filho, ele lança mão das leis do país em que vive. Segundo essas leis, quando a esposa não dá filhos ao esposo, este tem o direito de suscitar uma descendência de uma concubina. É o que acontece: Sarai oferece a escrava egípcia Agar para que esta dê filhos a Abraão. Para nós essa lei é estranha, mas naquele país e naquela época esse era o direito aceito e consolidado. Assim o filho nascido de Agar não será somente filho de Abraão, mas também de Sarai.

É exatamente isso que provocará o drama nessa família: Sarai quer tomar o filho gerado por Agar como seu filho, mas Agar quer conservar para si a maternidade e, assim fazendo, nega o direito de sua senhora, Sarai. Por isso Agar foge, rompendo assim a pertença à família de Abraão e Sarai.

O anjo, porém, se dirige a Agar no deserto e lhe ordena que volte para Sarai, a sua senhora. Ao mesmo tempo lhe promete que o seu filho Ismael dará origem a um povo numeroso que não se poderá contar. Esse povo será o ismaelita. Ela obedeceu ao anjo e voltou para Sarai.

Todo esse drama é narrado para revelar que a promessa divina de descendência para Abraão não será realizado por meio de Agar e Ismael. Mais do que isso, a descendência não será fruto da natureza ou das leis e instituições jurídicas. A descendência será autêntico dom de Deus. Assim o povo da descendência de Abraão é o povo criado miraculosamente por Deus. A superação da esterilidade e da idade avançada não se dará por arranjos jurídicos ou por meios meramente naturais. A origem do Povo de Deus é sobrenatural.

Outro dado importante desse drama vivido por Agar é mostrar que Deus, mesmo que não tenha escolhido Ismael para ser a origem do Povo de Deus, não deixa de abençoá-lo por meio de Abraão. Assim a bênção de Abraão é extensiva também ao povo ismaelita. A bênção divina por meio de Abraão ultrapassa a sua descendência.

O drama de Agar e de Ismael nos ensina que a Igreja da qual somos membros, não teve origem meramente humana ou jurídica. Ela tem sua origem no sacrifício de Cristo, de seu lado aberto na cruz e da efusão do Espírito Santo.

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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