Comentário ao Evangelho – Quinta-feira 16/06/2022

Corpus Christi – Ano C

Lc 9,11-17

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O milagre da multiplicação dos pães é um símbolo e uma profecia da Eucaristia. Símbolo porque a multiplicação não é a realidade: ela é apenas um sinal que aponta para a realidade: aquilo que Jesus instituiu na última ceia e que nós celebramos hoje. Profecia, porque a multiplicação não é a realidade, mas é a prefiguração da realidade da eucaristia, é como que uma amostra grátis do que nós hoje celebramos.

No que consiste o símbolo e a profecia da eucaristia? Eis: Jesus, no deserto, multiplicou os pães e os distribuiu à multidão por meio dos apóstolos, a fim de que o povo, que o escutou sua Palavra, não desfaleça pelo caminho. Todos comeram e ficaram saciados.

O deserto é a vida que atravessamos. É o deserto da solidão que muitas vezes nós experimentamos. É o deserto pela aridez e pelo vazio de alegria que envolvem a nossa existência. É o deserto da dureza e da incerteza do caminho.

Além da dureza do deserto é preciso ainda acrescentar a nossa impotência em dar solução à emergência da fome. Esse é o sentido do diálogo entre Jesus e os apóstolos.

Despede a multidão, para que possam ir aos povoados e campos vizinhos procurar hospedagem e comida, pois estamos num lugar deserto. Ele, porém, disse: Vós mesmos, dai-lhes de comer. Eles responderam: Só temos cinco pães e dois peixes – a não ser que nós mesmos compremos comida para todo esse povo! Eram uns cinco mil homens.”

A solução dos doze é despedir o povo. Não percebem que estão propondo uma solução absurda: para resolver o problema é preciso se afastar de Jesus! Jesus não deseja que as pessoas se afastem dele. Para isso ordena que os apóstolos deem de comer. Mas são cinco mil homens! Só têm cinco pães e dois peixes! Esse breve diálogo ressalta a impotência dos apóstolos e vai destacar o poder de Jesus em dar de comer.

A multidão tinha ouvido a palavra de Jesus, mas Jesus deseja dar mais: quer dar também o pão.

A Palavra de Deus que escutamos e nos iluminou não basta. Também com ela nós desfaleceríamos pelo caminho. Também com a Palavra nós não conseguiremos atravessar o deserto desta vida: ele é duro demais, árido demais, longo demais para as nossas poucas forças.

Além da Palavra precisamos da Eucaristia! Eis porque nós chamamos a eucaristia de “alimento dos viajantes”. Além da Torá, da Lei, temos necessidade do alimento para chegarmos à pátria celeste.

Lembremo-nos do profeta Elias. Ele fugiu a perseguição mortal de Jezabel e chegou ao deserto onde, cansado fisicamente, esgotado moralmente e desanimado espiritualmente, se jogou à sombra de um junípero e disse a Deus que não aguentava mais. Ele adormeceu para morrer, mas eis que um anjo o tocou e, apresentando-lhe um pão cozido sobre pedras quentes, lhe disse: “levanta-te e come, porque tens um longo caminho a percorrer”. Ele comeu e, com a força daquele pão, caminhou por quarenta dias através do deserto até alcançar o monte do Senhor.

Nós também experimentamos o mesmo cansaço, esgotamento e desânimo de Elias. Muitas vezes temos a tentação de dizer a Deus: agora chega, não aguento mais! A Igreja, hoje e durante todo ano, nos repete as palavras do anjo: Come a caminha! Quem come deste pão tem a vida eterna! A eucaristia é, de fato, o alimento dos caminheiros!

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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