Comentário ao Evangelho – Quinta-feira 03/06/2021

Quinta-feira – Solenidade de Corpus Christi

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Hoje nós somos convidados a entrar na sala para estar com Jesus, para comer com Jesus, para fazer a ceia com ele. Pedimos ao Senhor que, pela sua Palavra, Ele nos explique este grande mistério da Eucaristia e da Igreja: o mistério dEle e nosso! Sim, se trata do mistério da presença de Jesus, presença sacrifical, presença que se dá a nós, e se trata do mistério que nós somos: somos a Igreja, somos a esposa, somos os discípulos missionários alimentados pelo próprio Jesus.

Jesus nos explica: ele fala do pão que se torna corpo. Paulo nos explica: a Igreja é o Corpo de Cristo! O pão é o próprio Jesus! Nós somos o próprio Jesus! Mistério da fé! Que relação existe entre o Pão consagrado e a Igreja Corpo de Cristo? Que relação há entre a presença real de Cristo no pão e vinhos consagrados e na Igreja reunida?

Santo Agostinho dá uma resposta: “é o vosso mistério que se celebra no altar do Senhor, uma vez que sois o corpo de Cristo e os seus membros; vós recebeis o vosso próprio mistério e respondeis “amém” àquilo que vós sois e, respondendo, vós aceitais vossa identidade. Sé membro do corpo de Cristo, de modo que teu “amém” possa ser verdadeiro (Serm. 272; OL 38,1246).

Sobre o altar se celebra o nosso mistério. O “amém” que pronunciamos na comunhão é um amém dito a Cristo, mas é também um amém dito à Igreja e aos irmãos.

Nós sabemos que sobre o altar o Cristo-cabeça está realmente presente. Jesus disse: Isto é o meu corpo dado por vós. Isto é o meu sangue derramado por vós. Não é mero sinal que aponta; é a realidade de Jesus. dizemos amém a Jesus e não a um mero sinal. A sua pessoa damos o nosso sim e não a uma sua representação. Dizemos sim ao próprio Jesus e não a um sinal que recorda a sua pessoa.

Sobre o altar está presente o símbolo de nós mesmos, a Igreja. A Igreja está presente não realmente, mas de maneira mística. Mística no sentido de presença em virtude da íntima conexão com Cristo. A Igreja (ou seja, nós) está tão unida a Cristo como os membros à sua Cabeça. Por isso dizemos que somos membros de Cristo-cabeça que sobre o altar está realmente presente Cristo cabeça e misticamente está presente a Igreja. Sobre o altar está presente o corpo real de Cristo e o corpo místico de Cristo que é a Igreja. São dois corpos? É o mesmo Cristo, mas presente sob a forma real da eucaristia e sob a forma mística do seu corpo.

Além disso, Santo Agostinho nos ajuda a entender bem o Fazei isso em minha memória. De alguma forma, não só o sacerdote deve dizer “Isto é meu corpo dado”, “isto é meu sangue derramado”. Uma vez que sobre o altar está Cristo Cabeça e membros, cada um deve repetir na vida cotidiana o Isto é meu corpo dado por vós; este é meu sangue derramado por vós.

Você deve tentar traduzir as palavras da consagração na sua vida cotidiana, na vida familiar, no trabalho. Tente agora dizer mentalmente as palavras da consagração com a sua vida de pai, de mãe, de filho, de estudante, de trabalhador.

Fazei isto em minha memória é o mandato de celebrar a eucaristia. É também o mandato de celebrar a eucaristia na vida cotidiana. Jesus hoje nos diz: fazei aos outros a mesma coisa que eu fiz por vós na cruz e na missa!

Na comunhão, Cristo se dá a nós; Ele se entrega todo inteiro a nós. Diferente de nós, Ele não põe limite à sua doação pessoal a nós. Muitas vezes estabelecemos um limite de doação ao outros. Jesus Cristo, porém, ao dar o seu corpo par comer e seu sangue para beber, realiza a doação total de si a nós. Ele não sabe, ele não pode, ele não quer dar-se somente em parte ou até um certo limite. Ele deseja e ele dá-se totalmente na eucaristia. Essa doação total na eucaristia só é possível porque no sacrifício da cruz Jesus ofereceu seu corpo ao Pai em sacrifício por nós.

Assim também acontece conosco. Ao receber a comunhão dizemos Amém para significar que só podemos nos doar os irmãos porque antes com Cristo nos sacrificamos por eles. Por causa da eucaristia, nós nos configuramos a Cristo para cada dia morrer um pouco em favor dos outros.

Sobre o altar está o mistério de Cristo e de nós mesmos. Dizemos “amém” ao mistério de Cristo e ao mistério de nós mesmos. “Amém” a Cristo presente na eucaristia e que recebo na comunhão. “Amém” ao Cristo Cabeça e membros, ao Corpo místico de Cristo que é a Igreja e que somos nós mesmos. “Amém” porque recebemos Cristo e a nós mesmos! “Amém” porque queremos ser o Corpo de Cristo nos amando e nos sacrificando pelos outros como fez Cristo. “Amém” a Cristo que nos amou até o ponto de sacrificar a própria vida. “Amém” a Cristo que se dá a nós totalmente. “Amém” ao Corpo místico de Cristo que no cotidiano morre para si para a vida dos outros. “Amém”, meu irmão e minha irmã, eucaristizado pela eucaristia que eucaristiza este mundo.

 

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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