Comentário ao Evangelho – Quarta-feira 34ª Semana TC – 29 11 2023

Quarta-feira 34ª Semana TC

Dn 5,1-6.13-14.16-17.23-28

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Vemos o triunfo de um personagem rico e poderoso que chegou ao ponto mais alto do sucesso humano. O Rei Baltasar tem sob seu domínio um império enorme. Ele organiza uma festa grandiosa para todos mil dignitários de sua corte. O rei Baltasar abusa de seu poder para cometer um ato de sacrilégio: ele utiliza os vasos sagrados tomados do templo de Jerusalém para beber e se embriagar. Pior ainda, ele faz com que os convidados façam o mesmo. E como se não bastasse profanar e incentivar os outros à profanação, o rei Baltasar bebe em honra dos deuses. Além da profanação, acrescenta ainda a idolatria e a blafêmia. Ele brinda aos deuses com os objetos de culto das divindades vencidas.

Ele assume assim a figura do ímpio triunfante e insolente, como é descrito no salmo 72,6-9: “Eles fazem do orgulho o seu colar, da violência, uma veste que os envolve; transpira a maldade de seu corpo, transbordam falsidades suas mentes. Zombam do bem e elogiam o que é mau, exaltam com orgulho a opressão; investe sua boca contra o céu, e sua língua envenena toda a terra”.

O triunfo do rei, ainda que espetacular e extraordinário, porém, é frágil. A sua alegria é superficial e o seu sucesso é aparente. Na realidade, ele se encontra em uma insegurança completa, porque lhe falta o apoio verdadeiramente importante que é a justa relação com Deus. A aparição de uma mão que escreve na parede da sala real não provoca, mas revela essa insegurança fundamental. De um momento para o outro provoca no rei o medo, transforma o poderoso conquistador em um homem fraco que treme: suas ideias se confundiram, os ossos dos quadris vacilaram e os seus joelhos tremeram. É a figura oposta ao rei poderoso e triunfante de há pouco tempo.

Baltasar recorre, então, a Daniel para interpretar a escrita misteriosa. Impressionado com a sabedoria de Daniel, o rei executará o último ato de seu reinado, que é o de promover Daniel como o Terceiro posto mais importante no seu Reino. Sem o saber, Baltasar acabou por nomear o profeta como o arauto de sua condenação. Na mesma noite em que fez essa nomeação, o rei dos Caldeus foi assassinado.

Sabemos como os poderes deste mundo são em si mesmos inseguros e instáveis. A história de Baltasar e de Daniel nos revela que um poder temporal que não tem por base a justiça e a verdade divinas é sumamente frágil e passageiro. Infelizmente, antes de passar, tal poder é causa de grande sofrimento dos mais vulneráveis.

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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