Comentário ao Evangelho – Quarta-feira 30/09/2020

Quarta-feira da 26ª Semana do TC

Lc 9, 57-62

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No Evangelho temos três cenas de seguimento que estão ligadas ao início da viagem de Jesus a Jerusalém. São personagens anônimos (podem ser qualquer um de nós). O primeiro e o terceiro tomam a iniciativa de seguir Jesus sem serem chamados por ele. O segundo é chamado por Jesus. Nos três casos a exigência de Jesus é a mesma: prontidão, desprendimento de todos os vínculos até mesmo dos mais fortes, a disposição de enfrentar a pobreza e o desconforto.

O primeiro diz a Jesus: “Eu te seguirei para onde quer que fores.”

Jesus lhe respondeu: “As raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça.” A gente está acostumado a unir autoridade com o poder, com a fama e com a riqueza. Jesus, no entanto, revelou a sua autoridade na humilhação máxima da cruz e da morte. Quem quiser seguir Jesus tem que estar preparado para a cruz.

O terceiro diz a Jesus: “Eu te seguirei, Senhor, mas deixa-me primeiro despedir-me dos meus familiares.”

A resposta de Jesus é de novo exigente: “Quem põe a mão no arado e olha para trás, não está apto para o Reino de Deus.

Para arar a terra é preciso olhar para frente. O que ara olhando para trás não consegue traçar um risco reto. Lembremos também da mulher de Ló. O seguimento de Jesus exige abandono e renúncia sem arrependimento e sem lamúrias. Se deixamos tudo, lamentando-nos pelos bens perdidos, aramos olhando para trás.

O segundo é chamado por Jesus, mas ele hesita: “Deixa-me primeiro ir enterrar meu pai.”

A esse Jesus responde: “Deixa que os mortos enterrem os seus mortos; mas tu, vai anunciar o Reino de Deus.”

Quem só conta com esta vida, recebe no final somente as honras fúnebres. Jesus veio para trazer uma vida nova, uma vida que não termina no túmulo. Por isso, mesmo que o costume de honrar o túmulo dos pais permaneça sagrado e louvável, Jesus nos põe em uma nova ordem de coisas. Se não dermos esse salto, continuamos mortos nos nossos pecados e as honras fúnebres se reduzem a mortos que enterram os mortos. Nós sepultamos os mortos como um ato de misericórdia e de amor. Mas o fazemos na fé da vida com Deus, da vida eterna, da ressurreição com Cristo.

Mesmo tendo grande amor aos pais, o cristão não quer viver somente para esta vida e no horizonte reduzido da vida terrena. A vida do cristão não é somente para este mundo; não acaba neste mundo; a vida está destinada à Vida eterna.

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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