Comentário ao Evangelho – Quarta-feira 08/06/2022

4a feira da 10ª. Semana TC

1Rs 18,20-39

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O relato da leitura de hoje é cheio de bom humor. O profeta Elias desafia os profetas de Baal. Nesse desafio, faz questão de conceder aos profetas de Baal todas as vantagens possíveis sobre ele: deixa que eles escolham a vítima, que preparem antes dele o altar e a lenha, até a hora mais propícia é reservada a eles. O sacrifício deveria se realizar sem problemas, mas ele não acontece.

Por sua vez, Elias faz questão de tornar as circunstâncias do seu sacrifício as mais desfavoráveis possíveis: pede que encharquem várias vezes o altar, a lenha e o sacrifício com água. Somente isso bastaria para tornar o seu sacrifício impossível. E foi exatamente nessa circunstância desfavorável que Deus se manifestou em favor de Elias: “Caiu fogo do Senhor, que devorou o holocausto, a lenha, as pedras e a poeira, e secou a água que estava no rego”.

Desse episódio podemos tirar algumas lições importantes para nós.

A primeira lição é do significado do sacrifício. Sacrifício não é destruição, mas é santificar algo, santificar uma vítima, ou seja, estabelecer uma união entre a vítima e Deus, e, através da vítima, uma união entre Deus e os que oferecem o sacrifício. O fogo descido do céu era o fogo de Deus que santificava a vítima, porque queimando a vítima ela subiu ao céu “em sacrifício de suava odor”.

Essa primeira lição nos ajuda a compreender que não podemos nos iludir pensando que possamos oferecer um sacrifício de suave odor a Deus. Oferecer um sacrifício agradável a Deus não está ao nosso alcance, por isso é necessário que Deus mesmo realize esse sacrifício para nós. A eucaristia é exatamente isso. É o único e supremo sacrifício que agrada a Deus. Jesus ofereceu-se a si mesmo como vítima pelos nossos pecados. Ele ofereceu o seu corpo e o seu sangue como sacrifício perfeito. Jesus é a vítima que foi santificada pelo fogo de Deus, isto é, pelo Espírito Santo, que é o verdadeiro fogo do céu que tudo transforma e santifica.

Uma segunda lição se refere a todas as circunstâncias desfavoráveis do sacrifício de Elias que, no sacrifício de Cristo, são reunidas com ainda mais intensidade e profundidade. No sacrifício de Cristo as dificuldades são muito maiores do que no sacrifício de Elias. Jesus foi condenado injustamente, sofre humilhações e dores terríveis, experimenta o abandono de Deus. O mal se revela em toda a sua virulência. Todas essas coisas mais favorecem a destruição e dificultam qualquer santificação.

As circunstâncias da morte de Jesus eram realmente o contrário de um sacrifício como era concebido no AT. Segundo o AT, o sacrifício é uma ação nobre, não uma maldição. A vítima é honrada e glorificada pelo seu sacrifício por meio de ritos realizados em lugares sagrados e preparados.

Jesus, pelo contrário, morreu fora dos muros da cidade, foi rejeitado pelos homens, foi aparentemente abandonado por Deus, foi considerado maldito por ser pregado na cruz. Na sua morte convergiram todas as dificuldades possíveis e imagináveis contra o oferecimento de um sacrifício.

Nós celebramos a eucaristia sem nos dar conta dessas condições desfavoráveis porque estamos habituados à ação do Espírito Santo que transformou essa morte violenta de Cristo em sacrifício de agradável odor a Deus.

É bom que a gente tome consciência disso, pois quando sofrermos alguma situação parecida com a de Jesus, podemos pedir o dom do Espírito Santo. Muitas vezes, quando sofremos injustiça ou incompreensão nós nos revoltamos contra os outros e contra Deus. Aprendemos da eucaristia a transformar nossas humilhações em oferta a Deus.

Jesus tomou a situação humanamente mais terrível e transformou a morte injusta em obediência filial ao Pai e em amor pelos homens pecadores. Essa é a obra maravilhosa do Espírito Santo, que transforma a ignomínia da cruz em máxima glorificação.

Peçamos ao Senhor Jesus que compreendamos sempre mais a morte que nos salvou, que ele nos abra o coração à ação do Espírito que tudo transforma e santifica.

 

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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