Comentário ao Evangelho – Domingo 21/06/2020

12º Domingo do TC A

Mt 10, 26-33

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Nós estamos cheios de medo. O medo não é somente uma vivência passageira; é a nossa condição. Desde criança até o último suspiro, em qualquer condição social estejamos, em qualquer lugar vivamos sempre estamos assombrados pelo medo. A criança tem medo do escuro, dos monstros, do adulto que grita, do desconhecido. O adolescente tem medo de si, do outro sexo, dos outros provocado pela timidez, pelos complexos de inferioridade, pela agressividade. Os adultos não estão livres do medo: têm medo do futuro e da morte. Jesus, uma vez, chegou a explicitar esse medo que os adultos têm do amanhã com perguntas simples: o que comeremos? O que beberemos? Com que nos vestiremos?

Este mundo nos parece muitas vezes como uma realidade hostil e ameaçadora: ele pode nos esmagar facilmente com os cataclismos, com as epidemias e até mesmo com o próprio progresso tecnológico. As máquinas e o robôs que se tornam autoconscientes, fogem do controle e se rebelam contra a humanidade é o mito moderno do medo tão antigo quanto a vida. Creio que o maior medo consiste na angústia pela maldade humano que, como nuvem tóxica que desce sobre todos nós tudo engole e destrói. É o pecado do qual nos fala S. Paulo na segunda leitura, que, a partir da transgressão de Adão, foi se engrossando como uma avalanche que engole tudo e destrói.

Às vezes encontramos pessoas bondosas que nos animam. Elas nos encorajam e repetem “não tenha medo, coragem”. Elas, no entanto, também tremem. O encorajamento delas é um frágil conforto. Assim que elas se ausentam, voltamos ao velho medo de antes.

Será que não encontraremos quem nos conforte em nosso medo?

Todo o Evangelho de hoje é um bálsamo para as nossas angústias. Ouvimos de Jesus, como um refrão as palavras de Jesus: “Não tenhais medo”. Antes de qualquer raciocínio, hoje deveríamos assimilar e saborear a doçura destas palavras.

Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas podem matar a alma”. Nada neste mundo pode matar a alma a não ser nós mesmos.

Não se vendem dois pardais por algumas moedas? No entanto, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do vosso Pai.” Se assim “o vosso Pai” trata os pardais, o que vos fará que sois filhos? A revelação da paternidade de Deus e a revelação de uma vida além da morte nos asseguram. Todo medo é redimensionado no momento em que Jesus revela o desígnio do Pai. Isso ninguém pode destruir. Ninguém pode nos arrebatar das mãos de um Pai tão bom quanto poderoso.

Além disso, não nos esqueçamos que o mundo e pecado já foi vencido por Jesus. O mundo hostil, desfigurado pelo pecado foi vencido pela morte e ressurreição de Jesus.

A raiz maligna de todo medo tem um nome: é a morte do pecado. Jesus a venceu, passando pela morte e esvaziando-a de todo o seu veneno. De agora em diante, unidos a Jesus, ao morrer, a nossa vida não é mais destruída, mas transformada. A morte e a ressurreição de Jesus são agora o penhor e a antecipação de nossa vitória sobre o pecado.

A Bíblia conhece os nossos medos mais profundos, sem deixar de nos abrir para a esperança de estar sempre com Jesus. “Se Deus é por nós, quem será contra nós? Deus, que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como é que, com ele, não nos daria todas a coisas? Quem nos separará do amor de Cristo? Tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada? Em tudo isso, porém, somos mais que vencedores, graça àquele que nos amou” (Rm 8,31ss).

Nesta eucaristia recebemos Jesus que se entrega em sacrifício. O Pai nos entregou Jesus e, com Ele, nos entrega tudo. Recebamos nesta eucaristia com fé e humildade o Cristo Jesus para estarmos sempre unidos a Ele. Assim poderemos enfrentar e vencer o medo.

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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