Comentário ao Evangelho – Domingo 20/03/2022

3º Domingo da Quaresma C

Lc 13,1-9

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As pessoas relatam a Jesus um dos últimos acontecimentos políticos ocorrido na capital do país. Alguns peregrinos galileus tinham ido em peregrinação ao templo de Jerusalém para oferecerem seus sacrifícios. A situação da época era de grandes tensões políticas. Por isso, bastava pouco para que ocorressem protestos e distúrbios. Pilatos, que governava o território com mão de ferro, matando de maneira sistemática e contínua possíveis rebeldes, não pensou duas vezes em afogar no sangue também aqueles peregrinos galileus, “misturando o sangue deles com o sangue dos sacrifícios que ofereciam”.

A esse relato, Jesus reage advertindo e ensinando. Ele ensina que não se deve pensar que a morte daqueles galileus aconteceu como castigo pelos pecados cometidos por eles. A desgraça não acontece como castigo pelo pecado. O mesmo vale para as dezoito vítimas fatais da queda da torre de Siloé. As pessoas que morreram com aquele acidente imprevisto não eram mais pecadoras do que os outros moradores de Jerusalém.

O que está em jogo nesse modo de pensar (a desgraça alheia indica que as vítimas mereciam tal castigo) é o modo como imaginamos que Deus seja. Pensando assim convertemos Deus em um juiz que sanciona imediatamente as ações das pessoas, premiando exteriormente as pessoas boas e castigando os maus. O juízo de Deus, porém, não se traduz sob forma de sanção mecânica intramundana.

Jesus não condenou aqueles galileus por serem revoltosos e causadores de tumulto político, mas também não os considera heróis religiosos que podiam salvar a humanidade com o seu gesto de protesto e com a sua morte. Eles foram esmagados violentamente por uma desgraça deste mundo, a desgraça de uma situação política que pairava ameaçadora sobre o povo, tal como uma torre mal construída cai sobre a multidão semeando a morte.

A desgraça de uma política que conduz à violência e feita de repressão e morte, a desgraça de uma civilização que pode esmagar aqueles que vivem nela, são sinal da precariedade deste mundo e de nossa vida neste mundo. Esses dois acontecimentos, um de natureza política e outro de natureza fortuita, servem para mostrar que nossa vida está fundada sobre um risco que é o juízo de Deus. O juízo de Deus se aproxima, por isso é urgente a conversão. Não ajuda nada a nossa conversão ficar pensando que as desgraças deste mundo atinjam somente os pecadores e os culpados.

Sem conversão, nós acabaremos como aqueles galileus, que sofreram uma morte violenta. Sem conversão nós acabaremos como aquelas dezoito vítimas fatais da queda da torre de Siloé.

Se nós nos convertermos a morte, inesperada ou não, será convertida em caminho e passagem dolorosa para a vida com Deus. Com a conversão, a nossa morte será como a de Jesus: passagem necessária e dolorosa para a Vida.

Essa é a mensagem de Jesus para a multidão assustada e amedrontada pelos perigos da violência política e pelos imprevistos de tantas torres que balançam sobre suas cabeças. Ante a insegurança e precariedade desta vida, Jesus ensina que devemos nos converter a Deus.

É ainda tempo de conversão. “Não demores em voltar a Ele nem te delongues de um dia para o outro” (Eclo 5,5-7).

A conversão é urgente para nós, porque Deus nos dá ainda a última chance. Como a figueira estéril que só serve para esgotar a terra e que, por isso, está prestes a ser cortada, foi nos dada ainda uma oportunidade: nosso divino e misericordioso vinhateiro intercede por nós: “Senhor, deixa a figueira ainda este ano”. E não só isso. Além de pedir mais tempo, ele trabalha interiormente para que possamos dar os frutos desejados. “Vou cavar em volta e colocar adubo”. Jesus nos alcançou uma moratória. Ele age com sua graça para que possamos nos converter. Não podemos, porém, desperdiçar culpavelmente essa última chance nem esgotar o tempo da paciência de Deus. “Pode ser que venha a dar fruto”.

 

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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