Comentário ao Evangelho – Domingo 16/08/2020

Assunção de Nossa Senhora

Lc 1, 39-56

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Esta solenidade é de origem hierosolimitana e era denominada “dormição da Mãe de Deus” (Koimesis tes Teotokou). Foi logo acolhida na liturgia romana no decurso do século VII, foi aí denominada dormitio, pausatio, natalis, dando assim a impressão de ser uma antiquíssima memória de Maria. No século VIII recebe o nome de Assumptio. O papa Pio XII definiu o dogma da Assunção corpórea de Maria ao céu. Esta solenidade celebra “o dia em que a santa Mãe de Deus sofreu a morte terrena, mas não permaneceu nas amarras da morte”. Esta definição ocorreu em 1950.

Enquanto a “Anunciação” mostra o início histórico da vida de Maria no seu significado salvífico, a Assunção orienta o olhar do crente para o termo da vida de Maria que é para ela o momento da entrada no céu. A certeza da meta final alcançada é a razão da grande alegria que marca esta solenidade. “Esta é a festa do seu destino de plenitude, de bem-aventurança, da glorificação de sua alma imaculada e de seu corpo virginal” (MC 7).

Maria é a única criatura humana – depois de Cristo e no seu seguimento –  que entrou de corpo e alma na bem-aventurança do céu, depois de ter terminado a sua caminhada na terra. O mistério está sobretudo na coincidência da glorificação e da morte de Maria. Para todos os outro que morrem em graça, segundo a fé da Igreja, a glorificação só se dará no fim do mundo e da história da salvação, no momento da ressurreição dos mortos.

A assunção corpórea de Maria está ligada de maneira particular com sua divina maternidade virginal e com a sua imaculada conceição. O corpo de Maria foi de tal modo assemelhado ao corpo de Jesus que, como este, não conheceu a corrupção. A corrupção do corpo sempre foi vista como um sinal do domínio do pecado e de suas consequências. Ora, durante a sua vida, Maria esteve livre de tal domínio. Se o corpo da Virgem foi o meio luminoso, não obscurecido por pecado algum, através do qual passou a graça em pessoa, Jesus Cristo, a isenção da corrupção – o fato de Maria ter sido recebido logo na glória celeste – pode ser vista como uma consequência coerente de sua isenção do pecado. A relação única de Maria e Jesus Cristo justifica esta “distinção” corpórea no termo da vida.

Mas o momento pessoal e individual de Maria jamais deve ser visto de maneira isolada. Na realidade Maria jamais existiu sozinha diante de Deus. Por isso também seus privilégios individuais não devem ser separados do papel salvífico que ela desempenhou em benefício de toda a humanidade. Se Deus glorificou uma pessoa, Maria, ele o fez em vista de nosso bem e de todos. Na assunção não se trata só de privilégio pessoal de Maria, mas principalmente de um evento de redenção; de um evento que representa a redenção chegada à sua consumação num membro da multidão daqueles que têm necessidade de redenção; com efeito, só se pode dizer que a redenção está realizada quando faz sentir os seus efeitos em toda a criatura humana, também no corpo, com tanta freqüência desvalorizado e tratado com desprezo.

Através da assunção, Maria se tornou aquela que foi totalmente redimida. Nela se revela em que consiste, em última análise, a redenção, hoje muitas vezes reduzida a sinônimo de libertação do corpo. A redenção é a completa irrupção da vida divina também no corpo humano, a transfiguração da própria realidade material do homem e da mulher e a vitória sobre a morte em todas as suas formas.

Mas o que aconteceu em Maria possui importância não só para ela, mas também para nós, porque Maria, um membro da humanidade necessitada de redenção como nós, vive no estado de realização final. O que aconteceu neste membro aproxima, de certa forma, todos nós da meta final e o consolida na fé e na esperança. Nossa fé não é uma falsa ilusão, porque já alcançou sua meta em Maria; nossa esperança não é vazia porque, com Maria, a totalmente redimida, já se antecipou no hoje da solenidade. É como se já tivéssemos lançado no reino do céu uma âncora que confere firmeza à nossa esperança. Na sua glória Maria é para nós símbolo da tarefa e o fim da Igreja, é sinal eficaz para cada um de nós que estamos à caminho da realização completa. Maria “propõe à Igreja e à humanidade a imagem e o documento consolador da realização da esperança final” (Paulo VI).

“Hoje a Virgem Maria, mãe de Cristo e nosso Senhor, é exaltada na glória dos céus. Nela, primícias e imagem da Igreja, revelaste a realização do mistério da salvação e fizeste resplandecer para o teu povo, peregrino sobre a terra, um sinal de consolação e segura esperança”. Aquilo que a Igreja peregrina considera ainda como expressão de sua nostalgia, ela o vê realizado em Maria.

A assunção de Maria revela o significado da ressurreição da carne. Deus ama o ser humano todo; na ressurreição Deus não permite que nada do ser humano se perca. Na assunção de Maria Deus acolheu e abraçou toda sua humanidade. Ele não amou somente as moléculas que estavam no seu no corpo no momento da morte. Ele amou e ama seu corpo marcado pelos sofrimentos em comunhão de dor de Jesus Cristo, pela nostalgia sem tréguas de uma peregrinação de fé e de seguimento. Deus amou Maria e glorificou seu corpo que se chocou e se feriu com a dureza deste mundo, e traz ainda suas cicatrizes. Assunção significa que de tudo isto nada se perdeu para Deus, porque Ele ama o tudo em Maria. Todas as lágrimas, Ele as recolheu e nenhum sorriso lhe escapou. Ressurreição da carne significa que em Deus o homem há de achar novamente não somente o seu último suspiro mas toda a sua história.

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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