Comentário ao Evangelho – Domingo 15/03/2020

3º Domingo da Quaresma – ANO A

Jo 4,5-42

 

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A partir deste Domingo a liturgia da palavra privilegia os textos do Evangelho de S. João, porque eles são muito aptos para uma catequese batismal. Batismo é dom da água viva (Jo 4); é dom da luz (cura do cego de nascença Jo 9,41); é dom da Vida (ressurreição de Lázaro Jo 11).

vv 5-6: O encontro de Jesus com a Samaritana é imprevisto. Jesus senta-se junto ao poço, ao meio dia, enquanto os discípulos estão pela cidade procurando alimento. Jesus está só e de repente aparece a samaritana para tirar água do poço. É uma hora muito estranha para vir ao poço. Por que ela vem a essa hora? Ela tem suas razões como vai ficar claro depois no meio da conversa (ela teve cinco maridos e o atual também não é seu marido).

vv  7-14: Jesus inicia uma conversa que vai ser muito difícil e proveitosa. Difícil porque a mulher vai mostrar muita dificuldade em entender o que Jesus fala e proveitosa porque, apesar dos mal-entendidos Jesus fará a samaritana percorrer um caminho que termina no dom da água viva, da fé.

Ele tem sede e pede que a mulher lhe dê água. A samaritana se espanta com este pedido incomum: os judeus não conversam com samaritanos, os homens não dirigem a palavra às mulheres, os puros não se misturam com os impuros. Ela recorda a Jesus o que ele, como judeus, deveria saber.

Jesus aproveita o momento para fazer a dar um primeiro passo na superação do nível meramente material. “Se ela conhecesse o dom de Deus e quem está falando com ela”. Jesus inverte os papeis: não é mais ele que pede água, mas ele agora oferece água viva. A mulher mostra sua limitação em entender a promessa de Jesus. Como ele pode oferecer água se nem tem balde para tirar água. Mais uma vez Jesus insiste dizendo que quem beber da água que ele der não terá mais sede.

  1. 15-26: Parece impossível que a conversa dê algum resultado: diante da oferta de Jesus a mulher pensa que ele tem uma água mágica. Está somente interessada em não ter mais o trabalho de vir todos os dias ao poço. Jesus toma uma atitude surpreendente: pede para chamar o seu marido. Trata-se de um tratamento de choque que visa ajudar a mulher a sair do nível meramente material e carnal. Perguntado sobre o marido, Jesus faz a mulher tomar consciência de sua vida e que está diante de um profeta. É ainda uma fé imperfeita, mas é ao menos uma fé inicial. No início da conversa Jesus era somente um judeu, agora ela reconhece nele um profeta.

O tratamento de choque deu certo. Por isso ela pergunta a Jesus sobre qual é o lugar de culto: no monte Garizim ou no templo de Jerusalém. Jesus mostra que esta pergunta é própria de quem não sabe que Deus é Espírito, ou seja, não pode ser limitado a um lugar e que se deve adorá-lo em espírito e verdade. O culto no espírito é o culto como Deus quer e não como nós queremos. O culto conforme a vontade de Deus não significa adorar Deus em um lugar. Nenhum templo pode conter Deus. À samaritana Jesus revela que o verdadeiro lugar onde Deus está é Jesus Cristo. Nele o culto atinge a perfeição definitiva.

Com estas palavras Jesus consegue levar a mulher a se abrir à revelação que o Messias fará quando ele vier. Jesus faz com que a mulher exprima sua sede: ela deseja receber o ensinamento do Messias. Assim o Senhor desperta nela uma outra sede diferente e superior àquela meramente fisiológica.

Diante desta abertura Jesus lhe revela: Eu sou.

vv 27-30: A mulher é transformada. Ela abandona o cântaro: nem se lembra mais do veio fazer no poço. Ela veio tirar água, mas agora descobriu um outro dom mais precioso: a água viva. Veio buscar a água do poço e volta com outra mais preciosa. Por isso ela vai anunciar aos samaritanos tudo o que Jesus fez para ela.

vv 31-38: Jesus conversa com os discípulos. Também aqui Jesus fala-lhes uma coisa e os discípulos entendem outra. Os discípulos oferecem alimento e Jesus lhes declara que tem outro alimento para comer, ou seja, o cumprimento da vontade de Deus. Os discípulos pensam na comida material, mas Jesus lhes fala da vontade do Pai. Ora a vontade do Pai é a missão de Jesus de levar as pessoas a fé. É por isso que Jesus introduz uma outra imagem: a da colheita. Agora é a hora da colheita em que os frutos estão maduros. E são os samaritanos a colheita: eles estão chegando.

vv 39-42: Os samaritanos chegam à verdadeira fé. No início eles se interessam por Jesus por causa da mulher, mas depois eles acreditam por causa da palavra do próprio Jesus. A fé só é possível no encontro pessoal.

Deus, em Cristo, não redime somente a pessoa individual, mas também as relações sociais entre os homens (Texto-base, CF 2020, 78).

 

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

 

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