Comentário ao Evangelho – Domingo 14/06/2020

11º Domingo TC – A

Mt 9, 36-10,8

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Jesus enviou os doze discípulos com uma ordem expressa: De graça recebestes, de graça dai!

Deus escolhe para enviar. É pela missão que os eleitos de Deus se tornam instrumento e veículo de eleição para todos os povos: tendo recebido gratuitamente, gratuitamente dá, ou melhor, se dá gratuitamente.

Deus escolheu para si e privilegiou uma pequena porção da humanidade. Primeiro escolheu o povo hebreu, depois escolheu a Igreja. Além de escolher ainda estabeleceu aliança com eles. Se as coisas parassem por aqui, essa escolha de Deus seria um privilégio difícil de engolir. Será que os cristãos, pelo fato de terem sido escolhidos por Deus, formam uma casta privilegiada que se aliou com Deus contra os outros povos? A resposta para essa dificuldade é dada no Evangelho de hoje: De graça recebestes, de graça dai!

Dai de graça! Dar o que? Tudo o que recebemos, tudo o que somos por graça! Tudo deve circular, tudo deve ser repartido. Isso vale primeiramente para o amor: o amor que recebemos de Deus, o amor que nos elegeu e privilegiou deve transbordar para os outros como amor ao próximo. Os filhos da Igreja não podem se contentar em amar somente os próprios membros da Igreja. Nesse sentido, nos ajuda outro ensinamento de Jesus: “Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis?  E se saudais somente os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Sede, portanto, perfeitos como vosso Pai Celeste é perfeito”.

Dai de graça! De que modo? Eis a palavra mais importante da liturgia de hoje: a missão! Jesus escolheu os doze e os mandou em missão, mostrando, com isso, que, se ele escolhe e privilegia, o faz para enviá-los aos outros, para enviá-los às multidões cansadas e abatidas como ovelhas que não têm pastor.

Os cristãos somos escolhidos por Deus e nos tornamos aliados de Deus não para nos separar dos outros, nem para estar contra os outros, mas em favor deles, para buscar a salvação de todos.

Não cabe a nós julgar o que Deus faz em sua liberdade e bondade: Ele escolhe alguns e não todos! Deus, porém, revela na missão dos doze discípulos que o privilégio de Deus implica a responsabilidade dos escolhidos em levar a todos a salvação. O privilégio faz parte da experiência cristã, mas essa experiência não nos fecha em nós mesmos, antes nos impulsiona para a missão. Privilégio e serviço constituem duas faces da mesma moeda.

O privilégio da eleição e o serviço missionário estão condensados na ordem de Jesus: De graça recebestes, de graça dai!

 

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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