Comentário ao Evangelho – Domingo 11/10/2020

28º Domingo A

Mt 22, 1-14 

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As parábolas de Jesus não visam a uma bela teoria, mas chama a atenção para um comportamento concreto. Elas não somente um recurso pedagógico para transmitir doutrina ou ensinamento; não estão no terreno das ideias, de verdades teóricas. O campo das parábolas é sempre o da conduta. Assim a primeira pergunta a ser feita é: que tipo de comportamento está em causa nessa parábola dos convidados para a festa?

Um comportamento não existe fora da pessoa. Ao contar uma parábola Jesus se dirigia a interlocutores tinham um modo de ver e de agir diferente do seu. Assim as parábolas são um modo de continuar um diálogo através do qual Jesus espera mudar alguns comportamentos bem concretos. As parábolas não são um instrumento polêmico com a finalidade de reduzir ao silêncio adversários maldispostos. Elas estão a serviço de um diálogo em vista de uma conversão. A minha segunda pergunta é: a quem se dirige a parábola dos convidados?

Jesus deseja, por isso, convencer seus interlocutores. Para essa finalidade a parábola traduz sempre uma experiência, pois é ela que lhe dá força de persuasão. A terceira pergunta é: que experiência é colocada em realce pela parábola dos convidados?

A parábola dos convidados tem o objetivo de explicar a razão de Jesus se dirigir aos pecadores públicos e às prostitutas. O primeiro grande convite tinha sido feito primeiramente aos “justos”. Ele respeitou a eleição divina, manteve o privilégio do povo da AT, mas estas “não tiveram tempo” para aceitar o convite.

  1. 2 festa de casamento do filho do rei

Vir para a festa é sinal de lealdade ao rei. O banquete era o reconhecimento especial em favor do filho e todos estavam na obrigação de reconhecer que esse filho era o herdeiro do trono. O casamento do filho é o estabelecimento oficial de sua autoridade.

  1. 3 o chamado ao banquete equivale ao costume moderno de requerer que os convidados escrevam uma carta de confirmação de aceitação do convite: “RSVP”. Recusar o convite era considerado um insulto seríssimo, uma vez que se tratava de desprezar um privilégio altíssimo.

O desprezo dos convidados não é motivado por uma maldade, mas pela absorção nas ocupações diárias. Elas geralmente parecem mais importantes do que as solicitações de Cristo. As pessoas se preocupam com carros, terras, casas, alimento, roupas, esporte, sexo, diversões, etc.

Os convidados não quiseram vir porque estavam ocupados com seus afazeres e não estavam dispostos a deixar tais afazeres. É verdade que todos nós consideramos uma festa algo muito bom e desejável. Mas quando se trata de um convite dirigido pessoalmente e que requer minha decisão, muitas vezes, a reação é a de “não dar a mínima atenção”, porque não estamos dispostos a deixar nossas preocupações para “perder tempo com a festa”.

  1. 4 enviou outros servos

Atitude surpreendente! Mandou outros empregados para dizer “já preparei o banquete”, “bois e animais cevados”. Esse grupo não foi mandado só para convidar, mas também para insistir, para persuadir os convidados a virem. Deveriam falar das delícias preparadas. Todo esse esforço, porém, não encontrou boa acolhida.

  1. 5 “não deram a menor atenção”

Para os convidados a coisa mais importante não é a festa, não é o convite de Deus. A mensagem de Cristo não tem valor. A luta pela subsistência, os negócios, o orgulho da propriedade, são mais importantes. Ir para a festa obriga a sair do próprio mundo particular para descobrir o mundo dos outros, para ir ao seu encontro.

O texto não diz que os convidados resistiram ao convite. Certamente eles achavam o convite uma coisa boa. Diz que eles simplesmente não tinham tempo para isso. Não tinham o menor desejo de deixar seus próprios interesses. Quando isso acontece na Igreja, as pessoas ficam impacientes e irritadas com uma exigência maior na vida cristã.

Existem aqueles que preferem uma vida sonolenta, uma vida preocupada somente em desfrutar tranquilamente das coisas e das pessoas. Não é possível impressioná-las a uma vida de maior profundidade espiritual por mais que se fale ou descreva.

Outros se deixam absorver inteiramente pelos afazeres, pelo dinheiro, pelo sucesso pessoal a qualquer custo que se atolam neles. Todo seu pensamento, todas as suas energias se concentram obcecadamente nos seus empreendimentos que não sobra mais nada para a vida cristã e para o progresso espiritual.

Existem os que se opõem amargamente à verdade, à busca espiritual chegando a perseguir e a matar aqueles que proclamam a mensagem de Cristo.

Infelizmente, no caso de Jesus, os mais incrédulos foram exatamente os convidados, os que pareciam os mais religiosos e piedosos.

  1. 9 “encruzilhadas dos caminhos” “todos os que encontrardes”

As encruzilhadas são o lugar dos mendigos, dos que vivem na rua; é o lugar do lixo da sociedade.

  1. 10 “Bons e maus”

No seio da Igreja há bons e maus: os que não se convertem realmente e que permanecem nela por motivos que não são autênticos. Mas o desejo de Deus é que também estes se convertam e se salvem.

  1. 11 “veste nupcial”

Ensina a graça de Deus, mas também ensina que ninguém pode abusar dessa graça, pois a aceitação da graça deve resultar no revestimento da justiça e da caridade. Podemos frequentar a Igreja, mas o olhar de Deus examina o caráter de nossa adesão. Ele percebe quem não têm a veste de casamento. A graça de Deus deve ser aceita pessoalmente. E isso se verifica na retidão pessoal, no exercício da caridade. A graça de Deus quando é aceita não pode não transformar a natureza da nossa vida: nos transforma em santos.

Esse hóspede sem a veste nupcial serve de símbolo dos que pronunciam a palavra da fé, mas a sua vida não demonstram os resultados da fé; dos que olham para Cristo como salvador, mas de forma alguma é transformado por Ele; dos que conhecem as fórmulas, seguem os ritos, mas não é verdadeiro participante da vida de Cristo; dos que dizem “eu creio”, mas nada sabem da comunhão de vida com Cristo, não sabem o que é a amizade com Cristo.

  1. 13 Choro e ranger de dentes

Parece exagerado, mas nenhum simbolismo poderia descrever de maneira mais impressionante a angústia de quem foi abandonado por Deus. Deus, porém, não abandona, se antes não foi abandonado.

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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