Comentário ao Evangelho – Domingo 10/01/2021

Batismo do Senhor B

Mc 1, 7-11

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O batismo de Jesus no Jordão levanta espontaneamente uma pergunta: pode o Filho de Deus se submeter a um rito de purificação? Como é possível que Aquele que veio salvar o povo do pecado possa descer às águas junto com a multidão dos pecadores? Pode Jesus confessar os pecados?

Essas questões não são meramente teóricas. Obrigam-nos a nos buscar o sentido do batismo de Jesus para nós.

O batismo de Jesus nos mostra que Deus não se afasta dos pecadores, mas quer, com eles, manter uma relação de proximidade. A imersão de Jesus nas águas leva-nos a compreender que ele penetra também na realidade humana, compartilha a nossa condição e inicia conosco uma companhia que conduz à libertação.

Jesus não precisa do batismo de conversão, mas se faz batizar em solidariedade aos pecadores. Ele se apresenta humilde, como servo que se confunde com a massa dos pecadores. No batismo Jesus carrega sobre si o peso da culpa de toda humanidade para mergulhá-la nas águas do Jordão. Ele começa a sua vida pública tomando o lugar dos pecadores. Ao fazer assim antecipa a sua Cruz na qual se cumprirá toda a justiça.

Além de solidariedade com a humanidade pecadora, o batismo revela que Jesus tem com o Pai uma relação particularíssima. A voz do céu: “Tu és meu filho amado, em ti eu me agrado”, revela a relação que Jesus tem com Deus.

No batismo se revelam essas duas relações: a relação com os pecadores e a relação com o Pai.

No batismo, Jesus revela que é o servo que assume sobre si os pecados do povo. Ele é o Filho que vive o seu ser filial ao dar a vida. A justiça que Ele comunica é a libertação definitiva do poder do maligno; o Seu batismo é o início dessa libertação, e a Páscoa será o seu cumprimento.

O Batismo de Jesus é, da parte dele, a aceitação e a inauguração de sua missão de Servo sofredor. Deixa-se contar entre os pecadores; é, já, “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29), antecipa já o “Batismo” de sua morte sangrenta. Vem, já, “cumprir toda a justiça” (Mt 3,15), ou seja, submete-se por inteiro à vontade de seu Pai: aceita por amor este batismo de morte para a remissão de nossos pecados. A esta aceitação responde a voz do Pai, que coloca toda a sua complacência em seu Filho. O Espírito que Jesus possui em plenitude desde a sua concepção vem “repousar” sobre Ele. Jesus é a fonte do Espírito para toda a humanidade. No Batismo de Jesus, “os céus se rasgaram” (Mc 1,10). No Batismo, Jesus abriu o que o pecado de Adão havia fechado.

A festa do Batismo de Jesus nos conduz a uma reflexão sobre o nosso próprio batismo e das exigências do compromisso batismal. No batismo recebemos o Espírito de Deus e nos tornamos filhos de Deus, portanto, irmãos de Jesus e herdeiros do seu reino e de sua missão.

Pelo Batismo, o cristão é sacramentalmente assimilado a Jesus, que antecipa em seu Batismo a sua Morte e a sua Ressurreição. No batismo, nós entramos neste mistério de rebaixamento humilde e de arrependimento, descemos à água com Jesus para subir novamente com ele, renascer da água e do Espírito e nos tornar, no Filho, filho bem-amado do Pai.

 

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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