Comentário ao Evangelho – Domingo 05/01/2020

Solenidade da Epifania do Senhor – ANO A

Mt 2,1-12

 

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A narrativa de Mateus é uma história encantadora. Os magos vêm de longe em busca de Cristo, atraídos pela estrela.  Eles são trazidos de longe e, por meio de muitas vicissitudes da vida, encontram e adoram a Cristo.

Deus pôs um sinal nos céus para guiar aqueles astrônomos/astrólogos do oriente que procuravam encontrar Deus. O sinal da estrela é a manifestação da misericórdia de Deus que quer ser encontrado pelos homens. Expressa a necessidade de ter que olhar para fora deste mundo para descobrir os segredos de Deus.

O sinal levou os magos a começar uma longa e difícil viagem: quando nos damos conta do valor do encontro com Cristo, lançamo-nos em uma longa jornada rumo a Deus.

As estrelas vistas daqui de baixo parecem distantes e frias; as informações que elas nos dão parecem distantes e difíceis, mas por meio delas, mais particularmente pelo Cristo, somos atraídos para uma viagem que será bem-sucedida, pois é o próprio Deus que quer ser encontrado.

A viagem dos magos passa por uma crise. Vão perguntar a Herodes: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer?” A história de Herodes é uma história de violência e de assassinatos provocados pela sua suspeita doentia e sua crueldade impiedosa, inclusive contra sua própria família. Sua ambição de poder o levou a eliminar possíveis pretendentes ao trono. Historiadores sabem hoje que ele mandou matar por suspeita de conspiração o sumo sacerdote Aristóbulo (irmão de sua segunda mulher), José (seu irmão), Hircano II (o avô de sua mulher); Mariana (sua segunda mulher); José e Costobar (seus cunhados); Alexandre e Aristóbulo (seus enteados); Antípater (filho do primeiro casamento). O assassinato dos meninos de Belém está de acordo com a violência do reinado de Herodes, especialmente em seus últimos anos, quando sua segurança no trono estava ameaçada.

Depois de ter se informado cuidadosamente com os sacerdotes e mestres da Lei sobre o lugar de nascimento do Messias, chama em segredo os magos para saber com exatidão sobre o tempo do aparecimento da estrela. Lugar e tempo: falta somente saber quem é esse menino. Com astúcia maligna pede que os magos o mantenham a par das buscas para poder também ele ir adorá-lo. A astúcia de Herodes, no entanto, é vencida pelo milagre da estrela, que reaparece somente depois que os magos deixam a corte, e pela fidelidade dos visitantes, que obedecem ao sonho de não voltarem a Herodes.

É impressionante o fato que Herodes, com a ajuda dos doutores da Lei, tenha interpretado corretamente a profecia (Mq 5,1), mas não tenha crido (aceitado, aderido) em Cristo. De que adianta conhecer, se esse conhecimento nos leva a buscar a morte de Cristo?

A visita a um soberano era sempre acompanhada de dádivas. Ouro indica a realeza; incenso, a divindade; mirra, os sofrimentos e a morte. São presentes caríssimos, demonstrando grande afeto por Cristo.

O Senhor deseja ser encontrado. Ele mesmo nos atrai e nos guia pela sua estrela. Ele não nos dá somente a luz da fé, mas o seu corpo e o seu sangue para nos transformar e nos fazer viver sempre mais em comunhão com Ele.

 

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

 

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