Comentário ao Evangelho – Domingo 03/05/2020

4º Domingo de Páscoa – ANO A

Jo 10, 1-10

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Uma figura importante do evangelho de hoje é a do porteiro. No AT os porteiros do palácio e do templo são os responsáveis pela segurança. Também na parábola de hoje o porteiro tem essa função: ele não deixa o ladrão entrar, mas abre a porta ao pastor. Podemos interpretar essa imagem do porteiro como uma explicação e como uma crítica. É uma explicação da futura função dos Apóstolos: eles são os encarregados de não permitir que algumas pessoas desviem os discípulos de Cristo para o erro e fazer com que Cristo entre na vida dos fiéis e que permitam que os fiéis sigam o mestre. É também uma crítica para os que não se comportam bem e permitem que os discípulos se desviem de Cristo.

Um detalhe importante da parábola é que o pastor é descrito como aquele que leva as ovelhas para fora do redil e caminha à frente delas. Não se fala do pastor que traz as ovelhas de volta ao redil. De fato, a missão de Cristo é salvar do pecado. De fato, Ele não traz os discípulos de volta para o pecado, mas os conduz para a vida em plenitude.

Outro detalhe é menos chamativo mas não menos importante. Trata-se da relação pessoal do pastor com cada ovelha: ele conhece as ovelhas pelo nome, e as ovelhas reconhecem a voz do seu pastor e só a ele seguem. No Gênesis, Adão impôs os nomes aos animais segundo as espécies: assim um pássaro indica todos os pássaros da mesma espécie, um cavalo é o nome dos animais da mesma espécie. No Evangelho de hoje, o pastor dá nome individual, ou melhor, pessoal a cada ovelha. Ele cumpre o que está na profecia de Is 43,1: “chamei-te pelo nome, tu és meu”. As ovelhas não escutam os ladrões e assaltantes; elas só ouvem o verdadeiro pastor. Os falsos pastores do passado e do presente são mencionados nessa parábola como uma advertência: precisamos tomar cuidado, não devemos escutá-los. Muitos se apresentam como mestres e guias, mas é preciso discernimento e não ir atrás de qualquer um.

Como podemos ser ajudados nesse discernimento?

Cristo deixou à frente da Igreja pessoas com a autoridade de pastor. O que é essa autoridade? Eles não são chefes ou dignitários. São pastores porque, como Jesus, se dedicam ao povo de Deus. A autoridade na Igreja é uma autoridade delegada por Cristo a alguns homens. Não é uma autoridade absoluta; é uma autoridade que está ligada a Cristo ressuscitado: Cristo está presente nos pastores que Ele pôs à frente do Seu rebanho. Assim os fiéis obedecem aos pastores, obedecendo neles o próprio Cristo, pois reconhecem nos pastores terrenos o sinal vivo do Ressuscitado que está presente na e que conduz a Igreja.

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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