Comentário ao Evangelho do Dia – 30 de setembro

(30/09 26º Domingo do TC Ano B)

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

Ouvimos hoje: se alguém escandalizar um destes pequeninos que creem, melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço. Quem não fica perturbado com esta ameaça tão severa de Jesus.

O escândalo na Bíblia significa duas coisas: tropeço e obstáculo. No primeiro significado, indica algo que faz cair, que desvia do caminho, que leva ao pecado e à perdição. No segundo significado indica algo que impede e fecha o acesso, um muro que torna inacessível algo. Jesus quando fala de escândalo pensa nesses dois significados. Quando ele fala de escandalizar um destes pequeninos deseja dar a entender o primeiro significado. Trata-se de desviar os pequeninos do caminho da salvação, de fazê-los cair no pecado, de arrastá-los pelo exemplo, palavras e engano ao mal. Quando ele fala do olho, da mão e dos pés que escandalizam, quer destacar o segundo significado. Trata-se de algo que impede a entrada no Reino, de um obstáculo à salvação.

No caso do escândalo dos pequeninos há ainda o agravante de que o pecado de fazer cair no pecado envolve os fracos e os vulneráveis. Este escândalo é tão grave aos olhos de Jesus que ele usa a imagem de uma crueza incomum para indicar o castigo de tal pecado. O castigo para tal pecado é pior do que colocar uma pedra de moinho ao pescoço e ser jogado no mar!

Será que isso não é exagerado. Escandalizar os pequeninos que creem em Cristo é assim tão grave? Basta olhar ao nosso redor para descobrir como nós estamos nesta situação de escândalo ativo, continuado, organizado que inspirou a ameaça de Cristo. Quantos pequenos que creem em Cristo perdem a fé por causa de programas de televisão, filmes, jogos, conversar, espetáculos e até de aulas…

É só ouvir as letras de algumas músicas que nossas crianças e adolescente ouvem para perceber como eles são bombardeados com o que obsceno, imoral, feio e imbecil a todo momento, continuamente e em todo lugar. E se alguém ousa reclamar é taxado de obscurantista, carola, beato, intolerante. Fala-se a todo momento de que a arte deve ser livre, como se a arte tivesse a permissão de humilhar e ofender os cristãos, de vilipendiar o sagrado. Fala-se de realismo, como se a realidade fosse toda e somente a aberração sexual e a violência.

Temos motivo para tremer vivendo numa sociedade como a nossa que perverte os inocentes! Se não quisermos a condenação de Cristo precisamos com urgência oferecer às novas gerações a alternativa de viver com alegria o que é moral, o que é belo, o que é verdadeiro. Se não tivermos o cuidado de uma higiene mental e moral cotidiana e vigilante, a nossa sociedade receberá o castigo que já está às nossas portas.

Não podemos esquecer também do outro escândalo que é o de impedir as pessoas chegarem à fé. Quem é que coloca os maiores obstáculos para as pessoas crerem em Cristo. Nós mesmos! Muitos não têm fé por causa dos próprios cristãos que não vivem com coerência a própria fé. Se nó professamos a fé e prometemos viver o evangelho e depois, na vida, somos injustos com o próximo, insensíveis diante das necessidades e da dor, nós impedimos que as pessoas tomem a sério a Palavra de Jesus. É verdade que há também pessoas que não tem fé por preguiça ou por maldade. Mas há muitos que combatem a fé exatamente por causa do contratestemunho cristão.

Peçamos ao Senhor perdão por causa dos escândalos: dos escândalos que pervertem os pequenos e que nós permitimos que ainda aconteçam e dos obstáculos que nós pomos aos que não têm fé. Que a humilhação provocada pela consciência do pecado nos conduza à conversão urgente. Que a Palavra de Deus proclamada para abater e destruir, abata o nosso orgulho e a nossa falsa boa imagem de nós mesmos. Sobre a nossa humilhação e sobre o nosso arrependimento a Palavra de Deus tem o poder de fazer florir a conversão e a coragem para combater os escândalos e para não sermos nós o empecilho que impede o acesso à fé em Cristo.

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