Comentário ao Evangelho do Dia – 23 de setembro

(23/09 – 25º Domingo TC B)

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

De acordo com o relato de Marcos, Jesus insiste três vezes, enquanto caminhavam para Jerusalém, sobre a sua paixão e morte. Ele manifesta abertamente aos discípulos a consciência que tem de sua morte violenta e, com firmeza admirável, anuncia que está indo ao encontro desse desenlace. Assim explica, sem meios tons, que o final de sua vida não será o triunfo que os discípulos esperavam e imaginavam, mas será o da entrega total de si, o que inclui sua morte na cruz.

Os discípulos mostram que não entendem Jesus. Tanto que têm até medo de perguntar a Jesus. Parece até que eles preferiam não mexer em algo que eles intuíam muito perturbador e que exigia uma conversão. Com efeito, eles se demonstram apegados aos sonhos de glória e de honra; esperam ainda receber de Jesus privilégios e vantagens. Por isso, eles, mesmo que Jesus tenha anunciado sua paixão e morte, continuam discutindo quem é o maior entre eles. Ficam calados quando Jesus lhes pergunta: o que discutíeis pelo caminho? A discussão deve ter sido muito animada e acalorada!

Os discípulos guardam um silêncio envergonhado. A pergunta de Jesus parece ter feito os discípulos caírem na conta do absurdo daquela discussão. Bastou a pergunta daquele que se fez o último de todos, daquele que serve a todos, daquele que se fez pequeno como a criança para fazer aflorar a consciência da mesquinhez da luta pelo poder e da disputa pelo primeiro lugar.

Jesus responde ao silêncio dos discípulos, chamando-os e sentando-se: o gesto de se sentar é o gesto de quem ensina. Jesus tem algo importante para ensinar. Jesus quer ser ouvido; é o mestre que ensina! Quem quiser ser o primeiro, seja o último de todos e aquele que serve a todos!

Para ser de Jesus é preciso ser como Ele, servir como Ele, colocar-se no último lugar como Ele.