Comentário ao Evangelho do Dia – 02 de outubro

(02 de outubro – Terça-feira – Santos Anjos da guarda)

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

Os discípulos disputam entre si os lugares mais importantes no Reino a ser instaurado por Jesus. Todos eles desejam ter a precedência, ambicionam o primeiro lugar, querem para si toda a estima alheia.

Para responder à pergunta dos discípulos, mas principalmente para revelar aos discípulos uma nova mentalidade e realidade, Jesus coloca uma criança no centro do grupo. É importante esse gesto… não é mero detalhe. A presença de uma criança no meio do grupo dá concretude e força para a resposta de Jesus: Em verdade vos digo, se não vos converterdes, e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus.

Jesus revela que para ser grande é preciso se converter. Jesus aponta a criança não como modelo de inocência, mas de humildade. A criança não tem pretensões, sabe que é criança e aceita a sua pequenez, a sua impotência diante da vida, a necessidade que tem dos seus pais para poder subsistir e sobreviver. As crianças são modelo de humildade porque elas não se consideram menos do que são (a humildade não é humilhação!), mas reconhecem o que são (a humildade está na verdade).

O gesto e a palavra de Jesus nos convidam a passar do sinal para a realidade, da família humana para a família de Deus. O que é o homem perante Deus? Para responder a essa pergunta é preciso se reconhecer (ou se converter em) criança. E é exatamente essa a nossa alegria e dignidade: reconhecermo-nos filhos de Deus.

De onde tiramos essa equação? Tornar-se criança = reconhecer-se filho de Deus! A identificação está no versículo seguinte: quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe. É o próprio Jesus que se identifica com a criança. Lembremo-nos, Jesus pôs uma criança no meio e agora ele a indica: quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe.

Reconhecer-se filho de Deus tem como consequência reconhecer os outros também como filhos de Deus. É por isso que Jesus adverte: Não desprezeis nenhum desses pequeninos, pois eu vos digo que os seus anjos nos céus veem sem cessar a face do meu Pai que está nos céus.

Na Bíblia os anjos exercem três funções: 1. eles adoram e louvam Deus; 2. eles são mensageiros de Deus para os assuntos humanos, 3. são guardiões e protetores de pessoas e nações. Segundo uma compreensão bastante difundida no tempo de Jesus, nem todos os anjos tinham acesso direto a Deus. Tendo em conta a doutrina bíblica dos anjos, fica clara advertência de Jesus. Cada criança deve ser cuidada e não pode ser desprezada pois os anjos que as protegem têm acesso direto ao Pai. Se os seus anjos têm essa dignidade, muito maior dignidade têm as crianças das quais eles cuidam. De fato, o Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequeninos.

Foi meditando esse versículo do Evangelho que a Igreja chegou a certeza de que os anjos não só protegem a nação e o povo, mas cada um de nós foi entregue ao cuidado e à proteção de um anjo da guarda. É um grande consolo sabermos que somos acompanhados nesta vida por este ministro celeste, que além de ser nosso protetor é nosso amigo e nosso irmão espiritual. A sua presença ao nosso lado nos encoraja a uma vida mais santa a um comportamento mais reverente e puro. Não estamos sozinhos neste mundo; somos acompanhados pelo nosso anjo da guarda.

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