Comentário ao Evangelho – 6ª feira da 20ª semana do TC – 25.08.2023

6ª feira da 20ª semana do TC

Rt 1,1.3-6.14-16.22

O livro de Rute começa com a descrição da fome que se abateu sobre o país e o drama da viuvez que atinge não somente a matriarca Noemi, mas também as suas duas cunhadas, Orfa e Rute.

Noemi fica sem marido e sem os dois filhos. Com ela restam somente as duas cunhadas viúvas. Uma vez que Noemi não tem a esperança de se casar de novo nem de ter outros filhos, ela resolve não impor às suas noras a sua mesma sorte. Por isso, as desobriga de estar com ela.

Nesse sentido, é tocante a resposta de Rute à sua sogra: “para onde fores irei contigo, onde pousares, lá pousarei eu também. Teu povo será o meu povo, e o teu Deus será o meu Deus”.

Respondendo assim Rute se dispõe a beber o cálice da solidão de Noemi até o fim. Suas palavras são um juramento de lealdade e de solidariedade da parte de uma estrangeira, disposta a seguir a assumir a fé de Israel com todas as suas consequências.

As emigrações, a fome e a carestia são fenômenos comuns na história da Bíblia e da humanidade. Mas o que não é comum é a beleza, a ternura dessa jovem estrangeira que decide entrar no povo da Aliança para seguir a sua sogra viúva e condenada à solidão. Rute, uma moabita, se integrará a uma família de Belém e desta família nascerá, a seu tempo, Davi, o rei de Israel, do qual virá o futuro Messias Salvador.

A simples leitura deste relato nos revela que um ato de solidariedade e fidelidade terá, muito tempo depois, um fruto tão precioso quanto inesperado. Jesus Cristo, descendente de Davi, terá, na sua origem, a decisão da jovem moabita: “para onde fores irei contigo, onde pousares, lá pousarei eu também. Teu povo será o meu povo, e o teu Deus será o meu Deus”.

Este relato é muitos significativo para nossos tempos marcados por migrações forçadas, de uma crescente xenofobia e intolerância religiosa. Nosso salvador traz em sua história pessoal esses dramas que foram superados graças à fidelidade e generosidade de uma pagã e estrangeira chamada Rute.

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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